Cobrança sobre negro em cargo de relevância é maior, diz candidato do PDT em SP

Publicado em 14/09/2018 por Folha de S. Paulo Online

São Paulo

O geógrafo Marcelo Candido, 48, candidato ao governo de São Paulo pelo PDT, corre contra o tempo para ser o representante de Ciro Gomes no estado. "Fui colocado no aquecimento no início do segundo tempo, mas só entrei em campo na prorrogação", diz.

Candido foi do PT de 1990 a 2015. No ano seguinte filiou-se ao PDT. "A candidatura do Ciro Gomes teria o apoio do PSB. Em um acordo com o PT, o PSB foi para a neutralidade e deixou de apoiar o Ciro. Assim, optamos pela candidatura própria", afirma.

Ele foi deputado estadual entre 2002 e 2004, mas deixou a Assembleia para ser prefeito em Suzano, na Grande SP, de 2005 a 2012.

Candido teve suas contas rejeitadas pela Câmara em todos os anos dos dois mandatos. O ex-prefeito acionou a Justiça para analisar supostas nulidades nos processos. Em 2009 e 2012, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) de São Paulo deu parecer favorável.

"Nunca tive maioria na Câmara, por não adotar métodos ortodoxos de relacionamento com o Legislativo. Vetava os projetos em que eu percebia interesses pessoais", justifica.

O Ministério Público Eleitoral abriu ação de impugnação contra a candidatura de Candido com base na Lei da Ficha Limpa, motivada por problemas com certidões apresentadas ao TSE e condenação à suspensão dos direitos políticos por improbidade administrativa, lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito de terceiros. Ele está recorrendo.

Em 2005, a prefeitura contratou funcionários sem concurso público ou licitação e pagou horas extras em desacordo com a lei. 

"As contratações emergenciais foram feitas pelo prefeito anterior, que renovou os contratos por pouco tempo. Quando assumi, a prefeitura estava à beira de um colapso. Prorroguei os contratos e abri concurso", diz.

Somado a isso, o TCE apontou falta de transparência em contratos firmados entre a Prefeitura de Suzano e entidades esportivas e de apoio ao deficiente. 

O ex-prefeito disse que sempre prestou contas ao TCE e quando percebia irregularidade nos contratos, era proativo em tomar providências.

Único negro que concorre às eleições para o governo de São Paulo, Candido diz que sempre sofreu preconceito racial, mas não acredita que isso interfira no resultado das eleições. "Pelo contrário. Hoje, a população está tomando consciência da necessidade de ampliação do nível de representatividade", afirma.

"O que eu tenho de importante no processo eleitoral é a minha história, a minha negritude, a origem. Só que não faço campanha em cima disso. É sobre a visão de estado que tenho feito um debate em São Paulo", ressaltou.

Ele diz, no entanto, que a sociedade não enxerga um prefeito, governador ou presidente negro. "Quando o negro ocupa um cargo de relevância a cobrança é maior. As pessoas acham que o negro não tem formação".

Ele faz críticas ao adversário João Doria (PSDB), que pretende levar o padrão Poupatempo às delegacias, se eleito. "Como resolver um crime em dez minutos? O que vai provocar? Meninos negros presos. Quando se cria um serviço de Poupatempo na delegacia será para o delegado apreender garoto preto e pobre em 10 minutos. É isso o que ele vai querer? Essa proposta não é baseada na vivência, experiência ou sensibilidade; é produto de marketing", afirma.

Candido defende a descentralização do estado e critica o controle que o PSDB exerce sobre a Assembleia. 

"É uma Assembleia que não fez o papel de investigação e nem CPIs importantes. O PSDB ligou o trator em 1994 e até hoje não desligou, pois passa em cima de qualquer coisa que possa significar o mínimo de investigação sobre o governo do estado", afirmou.

Entre as promessas citadas, se eleito, estão a implantação de uma política de resíduos sólidos para diminuir custos aos municípios e resolver problemas ambientais.

Também promete melhorar a atenção básica para represar o número de pacientes que chegam à atenção especializada, o que significa atuar na prevenção e promoção à saúde.

Afirma ainda que quer implementar um hidroanel metropolitano, que auxiliará na despoluição de rios importantes, como o Pinheiros e Tietê.