Como resgatar a sua motivação

Publicado em 12/06/2018 por Jornal do Empreendedor

Nenhum ser humano está imune ao desânimo. Muito pelo contrário. Invariavelmente, seremos acossados por consternação e ausência de motivação, pelo simples fato de que somos humanos. Não temos como escapar disso, não somos imunes ou invulneráveis à nada, e mesmo quando fazemos aquilo que gostamos - a melhor das circunstâncias, quando somos realizados e apaixonados pela nossa profissão - vamos ter de lidar com eventuais momentos de desânimo e desolação. Alguns mais suaves, outros mais intensos. Mas isso é algo relativamente comum, e não precisamos transformar isso um evento cataclísmico. Basta lidarmos com a situação de modo natural e maduro. Como tudo que vem, vai embora, assim também é o desânimo. Ele não permanece indefinidamente.  

É claro que o desânimo tem diversas causas, tanto internas quanto externas, e precisamos identifica-las de imediato assim que ele desponta, pois, uma vez que tenhamos conhecimento da causa de nosso desânimo, será infinitamente mais fácil combatê-lo. O importante é tratá-lo como aquilo que ele realmente é: uma pequena, insignificante e temporária inconveniência. Muitas vezes, por não colocarmos determinados problemas em suas respectivas proporções, acabamos concebendo grandes adversidades, que só existem em nossas cabeças. E, evidentemente, aqui discorro apenas à respeito do desânimo ocasional. Não estou falando de patologias sérias e graves, como depressão clínica, que requer tratamento médico contínuo e acompanhamento, e não pode ser combatida apenas com conselhos motivacionais.

O desânimo tem muitas causas - ou pode até mesmo ser consequência de alguma situação - e em função disso, não é simples erradica-lo; afinal, um mesmo conselho não serve para a grande multiplicidade de problemas que podem deflagrar a falta de motivação, especialmente quando esta torna-se recorrente. As ansiedades pessoais e profissionais a que indivíduos adultos estão sujeitos não podem ser preteridas por definições simplórias, e por isso mesmo, não existem soluções simples, ou fórmulas mágicas para suprimi-las.    

De tempos em tempos, precisamos reinterpretar e compreender o que foi que nos fez escolher a profissão que exercemos, e quais são os principais fatores que nos levam a apreciá-la tanto. É natural que depois de um tempo fiquemos cansados, e conforme o vigor, a energia e a disposição da juventude se esvaem, a magia da vida dá lugar à rotina diária, e, por isso mesmo, precisamos constantemente injetar em nossas vidas novos elementos - tanto na vida pessoal quanto na profissional - para que todo um ciclo de renovação circule em nossa vida. Mas isso deve ser feito com cautela. Toda a jornada de reinterpretação de propósitos e objetivos deve sempre ser uma experiência inovadora e dinâmica. Não pode se transformar em um fardo nocivo, exasperante e cansativo, do qual você quer logo se livrar.

Um elemento que desanima muitos profissionais é a ausência de produtividade. E não se engane: ausência de produtividade não significa necessariamente trabalhar pouco. Inúmeros profissionais trabalham muito, exaustivamente, por longas horas, diariamente, mas não são necessariamente produtivos. Muitos executam de forma mecânica funções corriqueiras e redundantes, e nem sequer se dão conta disso. Um componente fundamental da sua jornada de trabalho é verificar se você faz tudo o que deve fazer, e se é produtivo na mesma proporção em que trabalha. Muitos profissionais trabalham bem mais do que quarenta e quatro horas por semana, mas não são capazes de atingir os resultados desejados. Às vezes, é possível trabalhar menos, mas gerando mais resultados. É claro que esses resultados devem ser realistas, não devem partir de projeções arbitrárias ou idealistas. A situação de carestia econômica que estamos experimentando atualmente deve igualmente ser levada em consideração. Você não pode se cobrar em excesso, tampouco tentar dominar circunstâncias que fogem do seu controle.

O desânimo normalmente é consequência de um desapontamento temporário, e levar um dia de cada vez, sem antecipar as ansiedades do dia seguinte - ou da semana, ou do mês seguinte, como é o hábito em situações de recessão econômica - é um excelente começo para tentar colocar a situação em que nos encontramos sob perspectiva. Não será antecipando problemas que você será capaz de solucioná-los. E não esqueça do mais importante: você é apenas um ser humano. Tem todo o direito de se sentir fragilizado, exaurido ou desanimado de vez em quando. Ninguém é de ferro, tampouco pode ou deve carregar o mundo nas costas.

Ter uma rotina equilibrada, mas que não seja redundante - isto é, tentar não fazer todos os dias as mesmas coisas, ou se empenhar em objetivos mais ousadas, porém alcançáveis, diferentes dos que você fez no dia anterior, mas que na sua concepção, possam ser tão produtivos quanto -, é um bom princípio para trazer um sentimento de renovação no seu ambiente profissional, que certamente afastará a terrível e improdutiva penumbra do desânimo na sua vida profissional.  

O desânimo sempre deve ser levado em perspectiva, para não perturbá-lo de forma desnecessária, e se transformar em uma barreira profissional instransponível. Faça o que você pode, com aquilo que você tem. Muitas vezes, tudo é uma questão de reflexão, ao se colocar todos os elementos da equação sob perspectiva. Aquilo que parece um obstáculo terrível hoje pode ser apenas um detalhe irrelevante amanhã.