Considerações sobre movimentos sociais

Publicado em 13/01/2018 por O Estado do Maranhão

Considerações sobre movimentos sociais

A crise que começou nos Estados Unidos, em 2008, e ainda repercute, com menor intensidade, em alguns países da Europa tem suscitado muitas discussões sobre seus possíveis desdobramentos.

O jornalista Paul Mason, autor do livro "Por que tudo está começando", escreveu: "corremos sérios riscos de revoltas sociais, ao constatarmos alguma identidade entre os diversos movimentos surgidos em 2011 e as circunstâncias em que, em outros tempos, isso mesmo veio a acontecer". Vale observar que esses movimentos assumiram grandes proporções, como no caso da verdadeira "guerra dos sexos", em franco progresso.

Pesquisando sobre o processo revolucionário das "muitas crises que abalaram o mundo, do Estado, da Família, da economia, da cultura", percebe-se a existência de entendimentos de ordem psicossocial, de acontecimentos que acabaram por atingir fundamentalmente a pessoa humana; não é sem propósito os movimentos de ascensão da mulher no seio familiar, no mercado de trabalho e na política.

Desde o Renascimento e passando pela Pós-modernidade, muitos pensadores, a exemplo de Aléxis de Tocqueville (1805-1859), historiador e escritor francês, "constataram a progressiva marcha igualitária surgida no mundo ocidental".

Mason encontra semelhanças nos movimentos reivindicatórios e de protesto acontecidos em 2011, desde a duramente sustentada pobreza egípcia à opulência americana representada por Wall Street, e diz que todos esses movimentos foram "deflagrados pelo colapso do padrão de acumulação capitalista inaugurado no início dos anos 1980".

A crise atual do capitalismo é a mais grave já ocorrida desde o "crash" de 1929. Àquela altura, porque, intencionalmente, o Tesouro americano resolveu não interferir, houve "quebra" geral de bancos; desta vez, entretanto, não foi sem propósitos que o Federal Reserve e outros bancos centrais injetaram somas astronômicas de moeda na economia, para salvar o próprio governo e grande parte do sistema bancário; agora, o difícil está sendo encontrar a "porta de saída".

Os historiadores estabelecem alguns pressupostos básicos, que poderiam aprofundar prenúncios mais ou menos graves em simples movimentos de revolta e de protesto, ou de revoluções propriamente ditas, sendo fundamental existir "uma lenta mudança tendencial na sociedade, preparando a eclosão de uma nova doutrina"; daí decorreriam posições fortemente ideológicas eclodindo novas doutrinas até chegarem às evidências dos fatos, transformando as instituições.

Mason reforça suas ideias raciocinando com os movimentos atuais encabeçados pelos jovens, que podem levar a impasses de trágicas saídas. Ele exemplifica com a socialdemocracias alemã, que tinha um projeto de poder, sem traumas, mas, traída em seus anseios e esperanças, viu-se transformada na violência nazista.

Ao analisar os fatos, todavia, devemos considerar, sempre, as circunstâncias em que ocorreram; o que ainda está acontecendo em alguns países da zona do euro, também em franco progresso na Alemanha, nos Estados Unidos e na França, são circunstâncias diferentes, pois a liderança é difusa, embora existam perigos potenciais.

Antônio Augusto Ribeiro Brandão

Economista, membro da ACL, do IWA e da Comunidade ELOS, fundador da ALL

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