Consumo estimula a economia, mas pede amplo ajuste fiscal, afirma CNI

Publicado em 13/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

Com a recessão tecnicamente superada, após dois trimestres seguidos de crescimento, a economia brasileira apresenta sinais mais consistentes de recuperação. Assim, impulsionado pela alta no consumo e pela forte queda na inflação, o Produto Interno Bruto (PIB) do País encerrará 2017 com crescimento de 0,7%. A indústria, por sua vez, crescerá 0,8%, o primeiro resultado positivo desde 2013, segundo projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

As estimativas foram revisadas para cima, diante do conjunto mais robusto de dados positivos na economia e de avanços na agenda de reformas - como a atualização das leis do trabalho e o anúncio de nova rodada de privatizações e concessões. Além disso, a forte queda na taxa de inflação amplia a renda disponível e ajuda a recuperar o consumo, efeito já sentido no comércio. "Na indústria, a gradual recuperação do consumo das famílias criará condições para o aumento da produção de forma mais disseminada", afirma a CNI.

No entanto, a expansão da atividade econômica ainda não será sentida por toda indústria. A alta de 0,8% no PIB industrial será liderada pelo crescimento de 7,2% na indústria extrativa e de 1,4% na indústria de transformação. O setor da construção civil, por sua vez, deve cair 2,3% em 2017, tendo em vista o baixo número de lançamentos e os estoque que ainda permanecem elevados, em todas as unidades da Federação.

Essencial
Apesar de a crise ter ficado para trás, ainda persistem dúvidas quanto à intensidade e à duração da retomada do crescimento. A principal fonte de incertezas permanece a questão fiscal e a agenda de reequilíbrio das contas públicas. "O processo de ajuste fiscal caminha em ritmo lento e a revisão recente das metas fiscais para este ano e o próximo é um sinal de alerta", aponta o Informe Conjuntural. "A reforma da Previdência, principal item da agenda fiscal, é essencial e urgente".
A queda na taxa de inflação tem surpreendido por sua duração e intensidade. O Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2017 em 3,1%. Assim, o indicador chegará ao fim do ano 1,4 ponto percentual abaixo do centro da meta de 4,5% estabelecida para este ano. O processo de desinflação tem ocorrido, sobretudo, pelo comportamento dos preços de alimentos, que subiram abaixo do usual devido à safra recorde registrada no campo.

A CNI prevê, ainda, que o saldo da balança comercial ficará em US$ 64 bilhões, este ano, resultado do crescimento de 16,1% nas exportações (US$ 215 bilhões) e de 9,8% nas importações (US$ 151 bilhões). A taxa de câmbio deve ficar encerrar o ano em torno de R$ 3,20 por dólar. Além disso, os técnicos da entidade estimam que a taxa de desemprego para o fim de 2017 foi revisada de 13,5% para 12,9%.