Contratação de CR7 leva Juventus a apostar em novos e milionários negócios no futebol

Publicado em 12/07/2018 por Jornal do Brasil

Ofuscada e esvaziada nos últimos anos, a Série A do Campeonato Italiano volta ao centro das atenções com a transferência do astro português Cristiano Ronaldo para a Juventus. Pagar 100 milhões de euros para um jogador de 33 anos, que receberá 120 milhões de euros em salários é uma jogada de risco mas a direção do clube faz suas apostas no potencial de negócios que CR7 desperta. “Todo mundo vai olhar para nós” foi as manchete do jornal “La Stampa”, do grupo Fiat, acionista majoritário da Juventus.

E vai mesmo. O sindicato de trabalhadores da montadora convocou greve de 72 horas na próxima semana. “Não é aceitável que os trabalhadores continuem a fazer sacrifícios econômicos, enquanto a companhia gasta milhões num jogador”, reagiu a entidade.

Acima, a logomarca criada pela Juventus para saudar o ídolo. Ao lado, funcionária da loja oficial do clube reserva espaço para as camisas de Cristiano Ronaldo. Promessa de milhões de euros à vista

Dono de cinco Bolas de Ouro e campeoníssimo em campo, o português é também vencedor quando se trata de fazer dinheiro. Segundo a revista “Forbes”, é o terceiro esportista mais bem pago do mundo - é superado por Lionel Messi e pelo  boxeador Floyd Mayweather. Só este ano embolsou US$ 108 milhões entre salários e contratos publicitários. Acusado de ocultar parte da fortuna à receita espanhola, fechou acordo no valor de 18,8 milhões de euros para encerrar o caso.

CR7 é uma marca mundial, com 330 milhões de seguidores nas redes sociais, mais que qualquer outro atleta. Seus contratos de publicidade chegam a US$ 47 milhões e reúnem a marca de relógios Tag Heuer, a fabricante de videogames Konami, a Fly Emirates e a Nike. 

Na última temporada, o nome do craque esteve em cerca de 50% dos artigos vendidos pelo Real Madrid, que comercializou 1,3 mil itens diferentes. Isso significa que sozinho vendeu mais produtos que toda a Juventus.

O empresário Ronaldo leva seu nome a toda parte. Em 2006, abriu marca de roupas íntimas que agora produz outros itens de vestuário. Em 2013, inaugurou museu na Ilha da Madeira, que atraiu mais de 250 mil pessoas. Em 2015, associou-se a um grupo hoteleiro para lançar empreendimento quatro estrelas em Portugal.

Os indícios da ida do atleta para a Itália fizeram as ações da Juventus subir mais de 30%. Só na terça, quando a contratação foi consumada, os papéis valorizaram de 5%. O movimento levou acionistas a vender papéis para fazer lucro e a oferta de ações provocou ontem um recuo dos mesmos 5%. Analistas de mercado estimam que a Juventus terá suas receitas anuais acrescidas em até 7 milhões de euros por ano em atividades ligadas à marca.