Com corte de impostos, Walmart aumenta salário básico nos EUA

Publicado em 12/01/2018 por Valor Online

Doug McMillon anuncia decisão que elevará de US$ 9 para US$ 11 o valor pago por hora, sob crítica de sindicalistas O Walmart está elevando o salário inicial de seus funcionários nos Estados Unidos de US$ 9 para US$ 11 por hora. A medida ocorre num momento em que a maior varejista do mundo prevê ganhar bilhões de dólares adicionais na esteira do plano de reforma radical de impostos aprovado pelo Partido Republicano. O Walmart é a maior empregadora privada nos Estados Unidos, constituindo fonte de renda de 1,5 milhão de americanos. A empresa, operante há 56 anos, é há muito criticada pela forma pela qual trata seus funcionários. A medida pode contribuir para recompor sua imagem depois que a concorrente Target elevou seu salário-hora inicial para US$ 11, no ano passado. O Walmart informou que, além de aumentar seu salário inicial para US$ 11 a hora, empregará o previsto benefício gerado pela queda dos impostos de pessoa jurídica para expandir seu programa de licença-maternidade remunerada. "Estamos no estágio inicial da avaliação das oportunidades que a reforma tributária abre para nós", disse o diretor-executivo da empresa, Doug McMillon. O Walmart engrossa um crescente número de companhias - entre as quais AT&T, American Airlines, Bank of America, Comcast e Wells Fargo - que divulgaram planos de repassar aos funcionários parte do dinheiro economizado com impostos. Aos funcionários de tempo integral que ganham por hora, a megavarejista diz que vai oferecer dez semanas de licença maternidade remunerada e seis semanas de licença parental remunerada (que inclui progenitores masculinos e pais adotivos). O Walmart também prometeu pagar aos funcionários que não se beneficiarão do aumento do salário-hora uma bonificação extraordinária de até US$ 1 mil. O aumento salarial deverá entrar em vigor em fevereiro e adicionará US$ 300 milhões à projeção de custos da empresa no ano fiscal que se encerra em janeiro de 2019, enquanto as bonificações extraordinárias custarão US$ 400 milhões neste ano fiscal. Muitos Estados americanos elevaram seus requisitos de salário-mínimo nos últimos anos, mas apenas alguns deles, como a Califórnia e Massachusetts, já determinam a adoção de um piso salarial de US$ 11 por hora. O mínimo federal está fixado em US$ 7,25 por hora. Embora a taxa de desemprego nacional americana tenha caído para 4,1% - o recorde de baixa de 17 anos -, muitos americanos reclamam que os salários não aumentaram o suficiente com a recuperação do mercado de trabalho. Um salário-hora de US$ 11 perfaz aproximadamente US$ 22 mil ao ano, valor que, pelos parâmetros do país, situa uma família de quatro pessoas abaixo da linha de pobreza. O sentimento de insatisfação se fez ouvir na exuberante assembleia anual de acionistas do Walmart realizada em junho, quando líderes sindicais se queixaram no palco de que a empresa estava pagando mal os colaboradores. "Como é que qualquer colaborador do Walmart consegue construir uma vida melhor, quando eles estão na companhia há cinco anos ou mais e ganham US$ 9 ou US$ 10 a hora?", perguntou Amy Ritter, do grupo Making Change at Walmart, que representa o sindicato United Food and Commercial Workers. O Walmart anunciou em 2015 que investiria US$ 2,7 bilhões em seus funcionários por meio de aumentos salariais, primeiramente para US$ 9 e depois para US$ 10 a hora, para a maioria dos funcionários, dependendo de sua data de contratação, e também por meio de programas de treinamento. Apesar da luta implacável que trava com a Amazon para dominar o varejo, o Walmart, sediado em Arkansas, tem aumentado aceleradamente suas vendas, ao investir em comércio eletrônico. Em seu mais recente trimestre, o Walmart computou seu total mais elevado de vendas nos EUA em oito anos e embolsou quase US$ 500 bilhões em receitas em seu mais recente ano fiscal.