Crescimento é objetivo de governo e não do BC, sustenta Ilan

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

RIO  -  (Atualizada às 12h47) O crescimento econômico não é um objetivo do Banco Central (BC), mas do governo, sustentou nesta segunda-feira o presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn. "A produtividade tem de ser conseguida no governo como um todo", afirmou, ao participar do seminário "Reavaliação do Risco Brasil", promovido pelo Valor, Fundação Getulio Vargas (FGV) e Firjan, no Rio de Janeiro.

O projeto de autonomia do BC, que depende de aprovação da Câmara dos Deputados, tem como objetivo o cumprimento da meta de inflação, tendo a estabilidade financeira como meta secundária, explicou. "Uma vez cumprida a meta, temos crescimento. Esse não é um objetivo do BC, é do governo", afirmou.

Ilan sustentou que é preciso que o país trabalhe nas reformas e ajustes. "Houve uma queda importante do PIB, de 7,5% [em 2015 e 2016]. Estamos na recuperação. Tem de trabalhar a reforma e os ajustes para a recuperação ser mais intensa", comentou. Ele acrescentou que tudo o que foi conquistado no cenário econômico brasileiro nos dois últimos anos só será sustentável se as reformas continuarem.

"O Brasil tem de continuar no caminho de ajustes e reformas. Estamos falando de ajuste fiscal e reforma da Previdência. Tudo o que foi conquistado só será sustentado se as reformas forem realizadas", disse ele, 

Segundo ele, o controle da inflação nos últimos anos permitiu a redução da taxa de juros, de 14,25% para 6,5%, na mínima histórica, o que está permitindo uma recuperação gradual da economia.

"Neste ano, tivemos a satisfação de manter a taxa de juros básica em mínimas históricas, que é 6,5%. Isso ocorre em um ano com desafio importante, com cenário externo mais difícil e cenário doméstico turbulento. Hoje temos uma recuperação gradual, mas consistente", completou.

O presidente do BC explicou que a melhor trajetória da inflação ajuda para que o Brasil tenha um problema a menos. "O Banco Central vai sempre olhar a inflação, o tempo todo. A sociedade pode cuidar de outras questões mais prementes", afirmou.

Ilan também defendeu a aprovação do projeto de lei da autonomia do BC. "Achamos que autonomia do Banco Central diminui a incerteza. Diminuindo a incerteza, diminui o prêmio de risco. E diminuindo o prêmio de risco, o Brasil consegue ter custo mais barato e crescimento maior", completou.

Em relação à atuação do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, Ilan afirmou que o momento é de normalização de taxa de juros. "Quando os juros saem de zero e vão subindo - hoje em dia se fala em 3% -, significa que pode gerar alguma turbulência aqui", afirmou.

O dirigente da autoridade monetária brasileria observou que a maior apreensão é que os juros americanos pudessem subir mais rápido. Entretanto, em seu último comunicado, o Fed sugeriu que esse movimento será gradual. "Não é uma normalização que falta muito ou que vai ocorrer de forma abrupta", disse o presidente do BC brasileiro.