Demanda fraca leva Restoque a reduzir oferta de ação

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

A varejista de moda Restoque decidiu encolher o tamanho de sua oferta de ações depois de ver que seus papéis não encontrariam tanta demanda. Inicialmente pensada para alcançar cerca de R$ 800 milhões e dar saída a dois de seus acionistas, a transação agora deve ficar ao redor de R$ 200 milhões e só trazer recursos novos para a empresa. Metade desses recursos virão dos investidores Marcelo Lima e Márcio Camargo, sócios da Artesia e donos de 48,2% da Restoque. Esse é o segundo sinal em menos de uma semana de que o humor dos investidores com empresas brasileiras pode ter mudado. Na quinta-feira, para conseguir concluir a venda de parte de seus papéis na IMC, dona da rede de restaurantes Frango Assado, a gestora de fundos de private equity Advent teve de fixar o preço das ações em R$ 8, o que representou um desconto de 25,6% em relação à véspera do anúncio da transação. Se quisessem vender suas ações na Restoque agora, as gestoras de fundos de private equity Advent e Warburg Pincus precisariam aceitar um preço abaixo daquele que projetaram. Por isso, resolveram aguardar para vender suas participações posteriormente. Mesmo com uma oferta menor, a Restoque voltará a ter a cobertura dos analistas, o que pode melhorar seu valor de mercado. Quase sem liquidez no mercado, a Restoque desenhou uma oferta bastante parecida com um IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). O objetivo é fixar o preço de seus papéis dentro de um intervalo que vai de R$ 38,50 a R$ 42,50, sem seguir a cotação da ação em bolsa. Caso não encontre demanda pelos papéis, a Restoque diz que fixará o valor das ações no aumento de capital em R$ 40,50. Ontem, a ação fechou a R$ 39.92, com queda de 7,89%. A oferta será coordenada pelos bancos BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch (BofA), Bradesco BBI e Itaú BBA. A expectativa da companhia é concluir a oferta subsequente no dia 27 de novembro. Essa data, porém, ainda pode ser alterada para 30 de novembro, caso a demanda indique que o preço ficará inferior a R$ 38,50. A Restoque também diz que poderá adiar o aumento de capital, cujo objetivo é melhorar a estrutura de capital da empresa. Além dos recursos trazidos pela oferta de ações, a Restoque também reforçará o caixa a partir da emissão de uma debênture. No fim de outubro, a empresa anunciou plano de levantar R$ 300 milhões com o título, valor que deve ser ampliado para R$ 500 milhões. A oferta ainda pode contar com um lote suplementar, em que é acrescido até 20% de ações do total inicialmente ofertado, ou seja, em até 987,6 mil ações ou R$ 40 milhões pelo ponto médio da faixa indicativa de preços. Os investidores estrangeiros têm vendido suas posições na bolsa brasileira, com receio de que a reforma da Previdência Social não seja aprovada. Depois da alta de 20,34% do Ibovespa neste ano, alguns investidores também estariam aproveitando para realizar seus ganhos. Por enquanto, os banqueiros de investimento não são unânimes em afirmar que o apetite do investidor para ofertas de ações de empresas brasileiras encolheu. Há quem diga que algumas das ofertas iniciais de ações que estão na fila podem encontrar certa resistência, enquanto para outros não existe nada diferente da disputa de preços que se viu ao longo de 2017. Companhias como Omega e Movida tiveram de reduzir o preço de suas ações para viabilizar os IPOs. Outras, como Tivit e Unidas, desistiram de realizar ofertas diante do preço oferecido pelos investidores. Até o fim do ano, estão previstos os IPOs de Neoenergia, Algar Telecom, Burger King e BR Distribuidora. (Colaborou Alexandre Melo)