Dia marca prevenção de mal que atinge milhões no País

Publicado em 11/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

Quem convive com crianças entende bem quão enérgicas são elas. Correm, pulam, brincam, caem, levantam e continuam a brincar. A energia dos pequeninos é algo que parece nunca esgotar. Entretanto, nos dias de hoje, não é difícil reparar que uma boa parte dessas crianças está menos disposta a embarcar nessa diversão toda. Muitas delas até querem, porém acabam esgotando suas energias mais rapidamente e, assim, abandonam as brincadeiras e atividades esportivas. Sim, é crescente o número de crianças que estão acima do peso no mundo.

Dia 11 de outubro é celebrado o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. A data chama atenção para que ações urgentes sejam articuladas diante de um problema que vem adquirindo proporções epidêmicas. Segundo projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2015, cerca de 2,3 bilhões de adultos atingiram o sobrepeso e mais de 700 milhões dessa fatia se tornaram obesos.

A Pesquisa Vigitel 2016, feita com pessoas que vivem nas capitais, mostrou um aumento de 60% nos casos de obesidade na última década. Isso contribuiu para o crescimento da incidência do diabetes e de diagnósticos de hipertensão. No Ceará, a obesidade atinge 20% da população que vive na Capital. O sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel) faz parte das ações do Ministério da Saúde para estruturar a vigilância de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no País.

Os pequenos
Foquemos, então, onde - na maioria das vezes - inicia todo esse perigoso processo: nos pequenos, pegando como gancho o Dia das Crianças comemorado amanhã. A obesidade é uma doença. Isso mesmo, uma doença. Não se trata de uma questão estética ou mera consequência dos maus hábitos. Falamos de um problema multifatorial que deve ser prevenido desde os primeiros meses de gestação.
Segundo um novo estudo da Federação Mundial de Obesidade, o número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que estão acima do peso deve pular de 220 para 268 milhões em menos de uma década. E, dentro dessa turma, a projeção é que cerca de 91 milhões serão obesos. Com o excesso de gordura, vários problemas se evidenciam. Prova disso é que, segundo a pesquisa, 28 milhões dos pequenos terão hipertensão, 39 milhões estarão com gordura no fígado e 4 milhões com diabete tipo 2, doença que sempre foi conhecida por acometer pessoas mais velhas.

Exemplo
Cláudio Feitosa tem um filho que está acima do peso e conhece bem as dificuldades do cotidiano de uma criança obesa. "Meu filho sofre para fechar a boca. Desde muito pequeno, foi acostumado a comer de tudo. Tios e avós sempre o alimentaram de maneira desenfreada. Com o passar dos anos, foi ganhando muito peso e hoje, aos oito anos, já apresenta um quadro de pré-disposição à diabetes. Não quer praticar esportes, pois cansa rápido, foi ficando retraído, calado", diz o pai.
O pai de Kayke buscou, então, ajuda de um psicólogo para ajudar a criança, além de instigá-lo a jogar futebol. "Ele está tendo acompanhamento nutricional. Estamos regrando, de modo geral, sua alimentação. Já perdeu alguns quilos e é notório que ele está mais disposto, mais ativo, brincando com outras crianças do condomínio, do colégio, porém, em alguns momentos, ainda reclama por não comer como antes. É preciso pulso firme e atenção o tempo inteiro, é para o bem dele, só que descobrirá isso quando for mais velho. As escolas também têm de ajudar nesse processo", alerta Cláudio.

Por falar em colégios, alguns deles estão contribuindo de forma direta para evitar a má alimentação dos pequenos. É o que faz a escola Nova Dimensão, de Fortaleza. "Na escola em que trabalho há uma tabela elaborada pela nutricionista, que as professoras precisam preencher todos os dias, constando o que cada criança leva para o lanche na escola. Se, ao avaliar a ficha de cada aluno, percebe-se que o que aquele aluno levou durante a semana não era saudável ou não estava adequado para o pleno desenvolvimento da criança, a nutricionista entra em contato com os pais para orientá-los sobre quais alimentos mais adequados seus filhos devem levar para a escola", explica Leidiana Lopes, professora do Infantil II.

Segundo Leidiana, a própria escola incentiva os pais a adotarem práticas mais saudáveis para seus filhos. "Há um cardápio enviado mensalmente para os pais através de e-mail para que eles possam acompanhar o que suas crianças têm consumido no ambiente escolar, especialmente as crianças do período integral (que passam manhã e tarde na escola). Há uma avaliação nutricional semestral, onde são medidos peso, altura e idade de cada criança para avaliar o desenvolvimento de cada criança de acordo com sua faixa etária", completa.

Razões
Crianças gordinhas, normalmente, se tornam adultos obesos e é preciso evitar esse desfecho. Segundo Vanessa Queiroz, mestre em Saúde Coletiva e nutricionista especialista em emagrecimento, os tempos modernos têm total ligação com tais problemas. "A globalização e a entrada da mulher no mercado de trabalho veio culminar no crescimento da obesidade infantil. Com a falta de tempo, a alimentação prática rica em corantes, gorduras, estabilizantes e sódio teve um consumo aumentado em detrimento de alimentação in natura. A falta de atividade física e a mídia também têm papel relevante.

"A valorização da tríade família-escola-saúde busca minimizar os condicionantes de prejuízos nutricionais no cotidiano infantil. Com relação à família, a maior forma que os pais podem auxiliar é mudar a relação que os mesmos têm com a comida. Sabemos que a comida traz prazer, emoções que, muitas vezes, estão enraizados nos pais e passam para as crianças de forma equivocada. Precisamos mudar a forma de se relacionar com a comida e mudar o pensamento para que possamos interferir no hábito alimentar da família, já que o exemplo dos pais é peça fundamental para promover hábitos saudáveis", diz.

Como
prevenir
a obesidade

O educador físico e personal trainer Kayro Maia explica como crianças e adultos devem buscar combater os problemas com o peso. "É preciso evitar a ingestão de gorduras, excesso de carboidratos, reduzir o consumo de açúcares de modo geral, trazendo para a prática, quem busca o emagrecimento e/ou evita a obesidade, deve procurar evitar alimentos com base no trigo, leite e açúcar (pães, massas, frituras, refrigerantes, entre outros)". E o educador vai além.
"Independentemente de qual atividade seja escolhida, cada uma tem sua particularidade e possui uma grande importância na vida do ser humano, pois é a principal responsável por ativar o corpo, melhorar o sistema cardiorrespiratório, estimulando o ganho de massa magra, aumentando a queima de gordura, equilibrando todos os sistema do ser humano", completa o educador.