"É uma sensação de liberdade", diz chef que topou desafio de raspar o cabelo

Publicado em 11/10/2017 por Gazeta do Povo

"Tem que ter essa experiência, sim, pelo menos uma vez na vida", diz a chef cinco estrelas pelo Prêmio Bom Gourmet, Eva dos Santos, enquanto passa as mãos pela cabeça recém-raspada. Ela aceitou o convite do Viver Bem de trocar o corte chanel pela careca e agora faz parte de um grupo cada vez maior: mulheres que usam cabelos raspados porque querem.

Ao longo do primeiro semestre de 2017, a pesquisa por esse novo estilo cresceu 462%, de acordo com o relatório Google Fashion Trends. As razões pela procura não têm a ver com problemas de saúde. "Se me perguntarem se estou doente, vou responder feliz da vida que fiz isso porque gosto de cabelo raspado", afirma Eva.

Esta não é a primeira vez que a chef de cozinha do Bistrô do Victor assumiu a careca. Durante a década de 90, época em que "aprontou muito", a jovem punk do interior do Paraná volta e meia tosava os longos cachos negros e fazia de tudo nos fios, desde passar descolorante a azul de metileno.

"Uma amiga me disse esses dias que cabelo é vida. Eu não concordo. A minha vaidade não tem a ver com meu cabelo. Gosto muito mais da minha sobrancelha, por exemplo", diz.

Por isso, Eva não pensou duas vezes quando a convidamos para raspar a cabeça e compartilhar a experiência. "É uma sensação de liberdade não ter cabelo. Para mim, são 30 minutos a mais de sono!". Veja como foi a transformação:

Como cuidar?

Quanto mais curto o cabelo, maior a sensação de que ele cresce incrivelmente rápido. Em duas semanas, os fios raspados na máquina dois (como foi o caso da chef Eva dos Santos) já precisam de manutenção.

Por isso, quem quer assumir a careca deve investir em uma máquina boa. "Gosto muito da marca Phillips", diz Ro Andrade. Segundo ele, é possível fazer a manutenção em casa, sozinha.

Quem vai fazer o processo pela primeira vez deve prestar atenção a alguns detalhes, segundo o profissional. Ele dá a dica de cortar as mechas com tesoura bem rente à cabeça antes de passar a máquina, para evitar que o aparelho trave.

A modelo Kátia André, de 20 anos, confessa que raspa a cabeça até duas vezes por semana para manter o visual sempre impecável. Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

A modelo Kátia André, de 20 anos, confessa que raspa a cabeça até duas vezes por semana para manter o visual sempre impecável. Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Preconceito

Apesar de todos os estímulos ao empoderamento feminino e à liberdade de cada pessoa ter o visual que quiser, quem foge da "normalidade" ainda enfrenta preconceitos. Quando a modelo Kátia André, 20, decidiu dar adeus aos cabelos compridos há quase dois anos, sua família não gostou da ideia.

"Mas logo todo mundo se acostumou", conta a jovem, que viu as portas do mercado de trabalho se abrirem quando adotou a careca. Ela tornou-se a top revelação da última SPFW, em agosto, estrelou na campanha do 3º ID Fashion e brilhou nas passarelas do último Minas Trend.

Na vida real, porém, o fato de ser diferente nem sempre trouxe bons frutos. Uma vez, Kátia estava entrando em um supermercado quando o segurança do local começou a segui-la, dizendo que era um absurdo uma mulher ter a cabeça raspada. "É assim. Algumas pessoas encaram mesmo, mas não dá pra se incomodar com isso", diz.

"A nossa aparência não é nossa, é da sociedade"

A cozinheira e food stylist Ana Cláudia Spengler, 38, raspou a cabeça pela primeira vez em maio de 2015, mas sempre teve vontade de se ver careca. "Demorei um ano para convencer as pessoas da minha família. Não queria chocar ninguém", lembra. Quando lhe perguntavam o porquê daquela "loucura", ela não encontrava as palavras. "Eu simplesmente queria. Não via mais função no meu cabelo", conta.

No dia em que raspou a cabeça, Ana encontrou no elevador uma vizinha idosa que costumava ser muito fria e reservada. "Ela me olhou espantada e perguntou se eu sempre cortava o cabelo daquele jeito. Quando respondi que tinha sido pela primeira vez, ela suspirou e disse 'quanta liberdade... Que lindo", lembra.

Depois desse dia, a senhora passou a puxar conversa amistosamente. "Foi um presente, sabe? De mostrar que temos o poder de escolha e também despertar isso em alguém."

Hoje, Ana mantém os cabelos curtos no estilo "Joãozinho". Mas é só uma questão de tempo até que ela ligue novamente a maquininha. "Em breve, teremos careca de novo!", anuncia, feliz.

O antes e depois da chef Ana Cláudia Spengler. Fotos: reprodução / arquivo pessoal

O antes e depois da chef Ana Cláudia Spengler. Fotos: reprodução / arquivo pessoal

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