Escolas públicas têm 10 casos de violência por dia

Publicado em 12/06/2018 por Band


Um levantamento feito pelo Jornal da Band revela uma realidade assustadora nas escolas públicas: somente no estado de São Paulo, 10 ocorrências de ameaças ou agressões são registradas por dia no ensino médio.

Vídeos dessas agressões que circulam na internet dão uma ideia do que professores sofrem dentro da sala de aula. Os profissionais, que tem medo de mostrar o rosto, colecionam histórias como essas.

"Eu estava indo embora, aí me deparei com o carro todo riscado, com palavras horrorosas, palavras feias, de assédio mesmo", relata uma professora de Campinas, interior de São Paulo, que não quis se identificar.

O crime aconteceu na semana passada e os xingamentos no carro já foram apagados, mas as marcas não devem sair tão facilmente. "No primeiro momento fiquei com muita raiva, mas a gente sabe que não pode fazer nada com isso, porque como é que a gente vai bater de frente com um aluno que a gente não conhece, não sabe de onde veio". O aluno em questão não fui punido, e a docente teme novas agressões.

Aumento

Os casos de violência, seja entre estudantes e professores ou entre alunos, dentro das escolas paulistas cresceram 5% em 2016 na comparação com o ano anterior. O levantamento do Jornal da Band mostrou que, por ano, são registrados em média 3.500 boletins de ocorrências de ameaças ou lesões corporais, e a situação pode ser bem mais grave.

O Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo afirma que apenas uma em cada três vítimas de agressão ou ameaça dentro da escola denuncia o crime à polícia. Além do medo de represália por parte dos alunos agressores, há outros motivos que explicam esse silêncio.

"A pressão dentro da escola, da diretoria, é de espalhar [os casos de agressão] com medo de reportagem, com medo de expor a escola", conta Luciany Bosan, que abandonou o ensino na rede pública depois de levar uma cadeirada de um aluno e dias depois sofrer uma ameaça quando estava grávida da filha caçula.

Consequências


Em 65% dos casos registrados, o crime é praticado por um aluno menor de idade. A violência dentro das escolas gera várias outras consequências: "[O professor] não aguenta essa pressão do cotidiano; mais que isso, fica com pânico, acha que vai para a escola e vai apanhar, ou que vai deixar o carro no pátio e será danificado", exemplifica Maria Isabel Azevedo Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo.

Nota da secretaria 

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo informa que todas as unidades de ensino são orientadas a registrarem boletins de ocorrência, e que houve uma redução de 12,5% nos casos de violência, segundo dados internos. 

 

Leia ainda: 

Professora se inspira em personagens femininas na sala de aula

Mãe acusa escolas de recusarem matrícula do filho autista