Executiva do PSDB resolve não tomar nenhuma decisão

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

Vai ficar para o novo presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, a tarefa de aglutinar o partido em torno da reforma da Previdência. A última reunião da atual Executiva do partido, antes da convenção para troca de comando no sábado, foi esvaziada e não promoveu avanço na posição do partido sobre o tema. Presidente licenciado, o senador Aécio Neves (MG) deixou o encontro dizendo que será ferrenho defensor de que os tucanos votem fechados em favor da reforma e defenderá este ponto, inclusive, na convenção. Mas reconheceu as dificuldades. Aos presentes, Aécio defendeu que será ruim se a reforma for aprovada sem apoio do partido, mas será ainda pior se não for derrubada justamente por faltarem os votos do PSDB. "O governador Alckmin é a favor, já externou isso. Pode exercer influência na bancada. Mas o que a gente vê hoje é uma desmobilização. Prefiro que seja agora, com esse texto atual, do que uma reforma ainda mais dura no futuro." Estiveram presentes 11 dos 46 deputados, 4 dos 11 senadores e dirigentes da sigla, que receberam o secretário da Previdência, Marcelo Caetano, e o relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA). Para o presidente interino, Alberto Goldman, ainda há no PSDB uma "maioria vacilante sobre o projeto". Ele defendeu que seria importante a legenda firmar posição perante a sociedade, mas que variáveis têm afetado a possibilidade, como a proximidade do calendário eleitoral e a percepção, entre tucanos, de que nem na base aliada ao governo há uma forte maioria formada para votar a PEC da Previdência. Sobre a ausência de muitos deputados, inclusive do líder Ricardo Tripoli (SP), Goldman foi ríspido. "Se podia ou não podia [vir] não sei". Recém-saído do Ministério das Cidades, o deputado Bruno Araújo (PE) alegou que houve um desencontro de informações, que prejudicou o quórum da reunião. Muitos não foram informados que Caetano e Maia fariam uma nova apresentação e esclarecimentos sobre a proposta. Para Araújo, "tem crescido na bancada a percepção de urgência da reforma". "Mas os votos do PSDB, sozinhos, não farão a reforma." Mesmo afastado do comando partidário, Aécio Neves publicou um documento com um balanço de sua gestão à frente do PSDB. O senador, que tomou posse em 18 de maio de 2013, foi afastado das funções políticas e do comando do partido exatos quatro anos depois, em 18 de maio deste ano, em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, após a divulgação de gravações do senador pedindo R$ 2 milhões para o empresário Joesley Batista, da JBS.