Fitch diz que melhora de rating do Brasil depende de reformas

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

RIO  -  O presidente da Fitch Ratings, Rafael Guedes, afirmou nesta segunda-feira que a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) na eleição presidencial foi convincente para o mercado, mas uma futura elevação da nota de crédito do Brasil vai depender da implementação das reformas, independência do Banco Central (BC), redução do déficit fiscal e estabilização da dívida no longo prazo, por exemplo.

"Se a agenda pró-mercado for implementada vai ser muito positivo", afirmou, lembrando que a intenção do governo eleito em obter um superávit primário em dois anos é muito ambiciosa e demanda reformas, que assim como as privatizações, enfrentam uma rejeição política e também social. O executivo participou do seminário "Reavaliação do Risco Brasil", promovido pelo Valor, Fundação Getulio Vargas (FGV) e Firjan .

Em fevereiro deste ano, a agência de classificação de risco rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil de "BB" para "BB-", deixando o país ficou ainda mais longe do selo de bom pagador de sua dívida. Segundo Guedes, se a análise da Fitch considerasse apenas os aspectos quantitativos, o Brasil ainda teria a classificação de grau de investimento. Mas ao incorporar uma análise qualitativa, a nota perde três graus. A questão das finanças públicas reduz a nota em um grau e os aspectos estruturais, dois - o ambiente político que ainda impede as reformas e as dificuldades em fazer negócios.

O que ainda mantém o Brasil com o rating "BB-", disse, é a economia diversificada, renda per capita acima de outros países da mesma categoria, um mercado de refinanciamento de dívidas eminentemente doméstico, citou.

Apesar do rebaixamento do rating em fevereiro, o executivo da Fitch lembra que pela primeira vez em anos passou a ter perspectiva estável para a nota. "Isso significa que não esperamos uma alteração no rating. O Brasil possui mais de 50% de chance de que nos próximos 18 a 24 meses o rating não venha a ser alterado", disse. O rebaixamento ocorreu por causa do elevado déficit fiscal que leva ao endividamento crescente e a resistência, a partir de fevereiro, do Brasil enfrentar as reformas, assim como o cumprimento da Regra de Ouro e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

De um lado, os analistas da Fitch vão monitorar estes pontos, que, se implementados, podem ajudar em uma melhora da classificação de risco. De outro, o crescimento da dívida pública, deterioração das condições de acesso a refinanciamento da dívida, além da questão das reformas, que se não implementadas estão entre os fatores que podem motivar novos rebaixamentos.