Gestora GWI acusa conselho da Gafisa de "interesses particulares"

Publicado em 14/09/2018 por Valor Online

Gestora GWI acusa conselho da Gafisa de "interesses particulares"

Em um novo capítulo da recente disputa entre a gestora GWI e a administração da incorporadora Gafisa, o acionista acusa conselheiros de envidar esforços em defesa de seus próprios cargos e não da companhia. A gestora enviou na quarta-feira uma notificação ao conselho de administração, conselho fiscal e diretoria da empresa, apontando o que considera um conflito de interesses e potencial ilegalidade da administração.

Segundo a notificação, a administração da Gafisa faz "campanha" contra a solicitação da GWI de destituição do conselho, com o "único intuito de permanência dos atuais membros do conselho de administração, em representação de seus interesses particulares, em detrimento dos interesses sociais e de todos os acionistas da Gafisa."

O mesmo documento foi protocolado ontem na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), apurou o Valor. A GWI cita a publicação de um informe publicitário com manifestação do conselho contra a solicitação da gestora, possíveis gastos com advogados e a contratação da consultoria internacional Morrow Sodali. A gestora solicitou prestação de contas e ressarcimento dos gastos em cinco dias. Segundo o Valor apurou, a GWI está disposta a ingressar com uma ação judicial contra as pessoas físicas que compõem os dois conselhos e diretoria, caso isso não seja feito até terça-feira.

Na notificação, a gestora argumenta que, pela Lei 6404/76, os administradores não podem "manipular" votos de acionistas.

A GWI solicitou troca de todo o conselho da companhia, o que será tratado em uma assembleia geral extraordinária (AGE) de acionistas, agendada para o dia 25 de setembro. A gestora vai indicar uma chapa de sete conselheiros. A administração da Gafisa recomendou aos acionistas votarem contra a destituição do atual conselho.

A GWI é hoje a maior acionista da Gafisa, com cerca de 30% do capital. Conforme duas fontes, a GWI pretende destituir a diretoria da companhia logo após a troca de conselho, se ela ocorrer. A gestora tem argumentado, segundo uma fonte, que a administração da empresa continuou ganhando bônus em anos consecutivos de prejuízo da incorporadora.

Na notificação, a GWI pede ainda que conselho e diretoria não participem da AGE.

O Valor apurou que a gestora contratou o escritório Almeida Advogados para assessorá-la nesse processo. Procurado, o escritório confirma a informação. "Estamos representando a GWI para uma mudança drástica na governança e administração da Gafisa", diz o advogado André Almeida, sócio do escritório.

Procurada, a Gafisa informou em nota: "A administração da companhia entende que não há conflito de interesses e que as condutas tomadas neste processo estão de acordo com a Lei das S.A. e as normas regulamentares da CVM".

A GWI atingiu participação relevante na Gafisa no ano passado. A gestora foi quem sugeriu a alteração da regra que definia que o acionista que atingisse 30% do capital da empresa fosse obrigado a fazer uma oferta pública de aquisição das demais ações. Na mudança, aprovada em janeiro deste ano apesar de manifestação contrária da administração, esse limite subiu para 50% - abrindo caminho para a GWI comprar mais ações no mercado, sem ter que arcar com custo de uma OPA.