Ibovespa oscila, mas sobe 0,43% no fim do dia

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

A continuidade da saída de investidores estrangeiros da bolsa de valores, aliada às preocupações com a votação da reforma da Previdência, tem pesado sobre a decisão de investimento no mercado acionário. Ontem, o dia foi de bastante oscilação na bolsa de valores. O Ibovespa chegou a cair 0,54% e a subir 0,79% durante o pregão, mas fechou com valorização de 0,43% aos 72.475 pontos. O Ibovespa só ganhou fôlego na última meia hora de negócios após o anúncio da saída do ministro das Cidades, Bruno Araújo, do PSDB, do cargo. A avaliação dos investidores é que a demissão do ministro vai permitir o início da reforma ministerial, o que pode acelerar a votação da reforma da Previdência. De acordo com o Itaú BBA, em relatório distribuído a clientes, do ponto de vista da análise gráfica o Ibovespa pode buscar o próximo suporte em 70.500 pontos, seguido pelos suportes em 67.800 pontos e 66.500 pontos, região pela qual passa a média móvel do índice. "Do lado da alta, o Ibovespa encontra resistências em 73.500, 74.500 e 75.200 pontos. Acima deste nível, o índice sairá da tendência de baixa e encontrará as próximas resistências em 77.100 e 78.000 pontos", informa o banco. Para um movimento de recuperação mais consolidado, o Ibovespa precisa superar os 73.500 pontos. Ontem, o giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 6,01 bilhões, abaixo da média diária do ano, que é de R$ 7,9 bilhões. Segundo operadores, o baixo volume de negócios é reflexo da apreensão dos investidores com a votação da reforma da Previdência. "O mercado ganhou uma dinâmica de volatilidade com a Previdência. Sobe em um dia e cai no outro, de acordo com as notícias sobre a reforma. Com isso, os papéis que têm um beta mais alto acabam reagindo de maneira mais intensa", diz um operador. Além disso, neste mês, até o dia 9, os investidores estrangeiros já sacaram R$ 2,10 bilhões da bolsa de valores. O valor superou toda a retirada feita em outubro, que foi de R$ 1,83 bilhão. Os estrangeiros têm diminuído a exposição aos ativos de risco, apostando em uma possível valorização do dólar. No ano, o ingresso de recursos estrangeiros no mercado de ações ainda está positivo, em R$ 10,76 bilhões. Entre as ações mais negociadas, os destaques de alta ficaram com as ações preferenciais da Usiminas, que subiram 4,07%. O presidente da empresa, Sérgio Leite, disse que o mercado de aços planos tem potencial para crescer de 5% a 10% no país no ano que vem. Também fecharam em alta os papéis preferenciais de classe B da Eletrobras, com alta de 2,07%; as ações ordinárias tiveram ganho de 1,25%. De acordo com Carlos Soares, analista de investimentos da corretora Magliano, a instituição considera que o anúncio de privatização da Eletrobras ainda é um evento positivo para as ações. "Entendemos que o mercado reage sob a perspectiva de que [a privatização] ocorra o quanto antes", diz. As ações da Petrobras fecharam em baixa, seguindo a queda do preço internacional do petróleo. As ações preferenciais da estatal recuaram 0,48% e os papéis ordinários caíram 0,29%. A empresa teve lucro líquido de R$ 266 milhões no terceiro trimestre, abaixo do esperado pelos analistas.