Ibovespa retoma força e renova máxima histórica

Publicado em 11/10/2017 por Valor Online

Depois de quatro pregões consecutivos cedendo a ajustes, o mercado de ações brasileiro recuperou o fôlego ontem e renovou a máxima histórica. O movimento foi puxado pela volta da liquidez nas bolsas americanas e, em alguma medida, estimulado pelas perspectivas de andamento de reformas no Brasil. O Ibovespa fechou ontem com alta de 1,55%, renovando o topo histórico aos 76.897 pontos - o recorde anterior foi em 3 de outubro, quando fechou em 76.763 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,42 bilhões, mais uma vez mostrando que o volume é mais forte quando a bolsa sobe - pista importante de que a força compradora continua presente no mercado local. Em relatório distribuído a clientes na noite de ontem, o Santander revisou a projeção para o Ibovespa no fim de 2018 para 90 mil pontos, ancorado nas expectativas de crescimento elevado de lucros das empresas e "potencial realocação de ativos domésticos" na renda variável. A conclusão do banco, que cita um "otimismo cauteloso" com o Brasil no momento, é que o retorno potencial do índice pode chegar a 21% a partir dos níveis atuais. No documento, assinado pelos analistas Daniel Gewehr e João Noronha, além do retorno potencial, reclassificações para cima no múltiplo P/L (relação entre preço e lucro) podem ocorrer, caso elementos da frente política se concretizem. "Vemos uma probabilidade acima da média de um governo voltado ao mercado ser eleito em 2018, realizando a reforma da Previdência logo em seguida, mas reconhecemos a maior volatilidade histórica", afirma o banco no relatório, em que dá ênfase às ações ligadas ao ambiente cíclico doméstico, como é o caso de Lojas Americanas - principal recomendação do banco. A ação da varejista teve ontem alta de 1,12%, a R$ 19,94. Já o Credit Suisse mostrou, também em relatório, que um crescimento mais forte das margens de lucro das empresas tem dado suporte à alta da bolsa e pode sustentar ganhos adicionais para o mercado. Segundo os analistas Andrew Campbell e Otavio Tanganelli, depois do avanço de 27,8% do Ibovespa neste ano, o mercado está operando a um múltiplo de preço e lucro de 13,3 vezes, acima da média dos últimos cinco anos, de 11,5 vezes. Entre diversos fatores para a valorização do Ibovespa, os analistas destacam que a maior disposição dos investidores em tentar se antecipar a um crescimento de lucro mais intenso do que o projetado. "A mudança de direção de uma contração do PIB [Produto Interno Bruto] de 3,6% em 2016 para crescimento de 2,5% em 2018 representa uma mudança acentuada, que deve ser positiva para a rentabilidade das empresas", diz o relatório do banco. No mercado acionário de Nova York, o pregão também foi positivo ontem. O Dow Jones e o Nasdaq anotaram novas máximas históricas. No fim do dia, o Dow Jones tinha alta de 0,31%, a 22.830,68 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,23%, a 2.550,64 pontos, e o Nasdaq avançou 0,11%, a 6.587,25 pontos. Do lado doméstico, investidores se apegaram às sinalizações do governo brasileiro de que a reforma da Previdência pode ser aprovada mesmo que de forma parcial. Em um primeiro momento, a leitura quanto ao tema é positiva dado que parte do mercado vinha trabalhando com a ideia de que a reforma poderia não acontecer. "Internamente, identificamos como relevante a tentativa do governo de não tirar da pauta a reforma da Previdência. O objetivo é trazer uma reforma mais enxuta, mas ainda assim o governo continua demonstrando certo compromisso com a pauta", afirma Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos. Entre os movimentos mais relevantes do pregão de ontem, mais uma vez o destaque ficou com as siderúrgicas, que costumam operar com maior vantagem ante o desempenho do próprio Ibovespa - são as chamadas ações de "beta alto". A ênfase do dia ficou por conta da Gerdau Metalúrgica, que subiu 5,40%, a R$ 5,66, seguida pela Gerdau, com alta de 4,21%, a R$ 11,15. No setor financeiro, ênfase para units do Santander, com ganho de 3,81%, a R$ 30,27.