Indicador de emprego bate recorde e sinaliza aumento das contratações

Publicado em 11/10/2017 por DCI

11/10/2017 - 05h00

Indicador de emprego bate recorde e sinaliza aumento das contratações

Segundo especialistas, a geração de vagas deve ganhar força nos próximos meses, por causa das festas de final de ano, e avançar em 2018, caso a retomada econômica se consolide no período

São Paulo - O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) subiu 2,4 pontos em setembro e chegou aos 100,6 pontos, o maior patamar desde 2008, quando teve início a série histórica.

Divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), o IAEmp sinaliza as tendências no curto prazo para o mercado de trabalho. De acordo com o porta-voz do estudo, o nível atual do indicador aponta um aumento das contratações durante os próximos seis meses.

"O surgimento de vagas, que ocorre na época das festas de final de ano, deve dar força ao emprego no quarto trimestre [de 2017], mas a recuperação do trabalho não deve ficar presa a esse fator sazonal", afirma Fernando de Holanda Barbosa, pesquisador do Ibre/FGV.

Segundo ele, a retomada da economia brasileira deve possibilitar um avanço na geração de postos formais no primeiro semestre de 2018. "Por enquanto, a melhora dos dados de emprego está mais ligada ao trabalho informal e por conta própria."

Entretanto, ele afirma que fatores externos à economia podem atrapalhar a reabilitação do trabalho. Entre os riscos para a recuperação, Barbosa cita a eventual piora do cenário político no País.

Professora de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Denise Delboni diz que, nos próximos meses, as vagas devem aparecer nos setores de serviços e comércio, que são favorecidos pelas compras de final de ano.

Já em 2018, as contratações podem ocorrer na construção civil, afirma ela. "Esse setor demitiu muito nos últimos anos, então devemos ver alguma recuperação." A especialista também prevê maior criação de postos em outras áreas, como a indústria de transformação. "Vai depender muito do cenário político e de como serão as eleições", pondera.

Sobre a reforma trabalhista, Denise afirma que as contratações podem "acelerar um pouco" com a flexibilização na CLT, que entra em vigor no mês que vem. Contudo, ela diz que essa trajetória vai depender de um fortalecimento mais robusto da economia.

Para a alta do IAEmp no mês passado, colaboraram os avanços de seis dos sete componentes que fazem parte do indicador. O destaque ficou com o cálculo de satisfação com a situação dos negócios no momento atual, visto na Sondagem de Serviços. Também teve bom desempenho a expectativa com relação à facilidade de se conseguir emprego nos seis meses seguintes, captada pela a Sondagem do Consumidor.

ICD em patamar elevado

Já o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) recuou 0,5 ponto, em setembro, para 97,6 pontos. A diminuição do ICD sinaliza uma melhora da percepção das famílias sobre o mercado de trabalho no País.

Apesar da queda no mês passado, o indicador segue próximo de seu nível mais elevado. "O avanço dos empregos informais e por conta própria cria uma percepção melhor para a população, mas o ICD continua bastante alto porque o desemprego ainda está inflado", explica Barbosa.

Em setembro, as classes que mais contribuíram para a queda do ICD foram as dos consumidores com renda familiar entre R$ 4.100,00 e R$ 9.600,00 e acima de R$ 9.600,00. Isso porque ambas tiveram uma melhora na percepção de dificuldade de se obter emprego.

Melhora do trabalho

Os dados de emprego mais recentes corroboram os resultados de setembro dos indicadores calculados pelo Ibre.

A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a taxa de desemprego caiu para 12,6% no trimestre encerrado em agosto deste ano. A taxa ainda está próxima de suas máximas históricas, mas recuou em relação ao patamar observado no trimestre encerrado em maio deste ano (13,3%).

Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, indicou um saldo positivo no mercado de trabalho formal, com a adição de 163.417 postos entre janeiro e agosto deste ano. Entretanto, quase 3 milhões de vagas foram fechadas durante a recessão.

Renato Ghelfi

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