Juro futuro de curto prazo deve recuar mais após Copom

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

O mercado de juros futuros da BM&F vai iniciar o pregão desta quinta-feira incorporando a sinalização do Banco Central de que a Selic cairá mais 0,25 ponto percentual em fevereiro. Essa indicação deve levar os juros de curto prazo para baixo, uma vez que os contratos da BM&F ainda refletiam apostas divididas entre estabilidade e corte de 0,25 ponto. Tomando como base o contrato de juros DI com vencimento em julho de 2018, as posições dos investidores na bolsa brasileira chegaram ao fim do pregão de ontem projetando 56% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual em fevereiro. O alívio nos DIs curtos pode ser intensificado por leituras de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deixou a porta aberta para outro corte de 0,25 ponto no encontro de março. Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, um declínio de 0,50 ponto percentual na taxa não está descartado caso o governo consiga a aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano. A extensão do ciclo de afrouxamento monetário para março é uma possibilidade, segundo o economista do Daycoval Rafael Cardoso. Ele destaca a queda da expectativa de inflação do Copom para 2018, a despeito da estimativa de economistas, segundo a Focus, de que a Selic passe boa parte do ano que vem em 6,75%. Cardoso vê IPCA de 3,9% para 2018, o que corrobora a visão de que o ciclo pode prosseguir para além de fevereiro. Mas alguns analistas mostram um pouco mais de conservadorismo. Marco Caruso, economista do Banco Pine, diz que a probabilidade de estabilidade do juro na primeira reunião do ano é maior que a de redução de 0,50 ponto percentual. Caruso avalia que a decisão dependerá "amplamente" dos efeitos da conjuntura nas projeções de inflação para 2018 e, de forma crescente, para 2019. Por isso, prefere esperar a evolução do cenário antes de revisar sua atual projeção, de Selic de 7% ao fim de 2018.