Juros futuros longos registram alta e puxam diferença entre taxas

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

SÃO PAULO - A aparentemente calma sessão no mercado de juros futuros da BM&F nesta segunda-feira não deixou de revelar um mercado cada vez mais arisco. Pelo menos é o que indicam as apostas nas taxas mais longas e curtas. A diferença entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019, por exemplo, alcançou 296 pontos na máxima intradiária. E a entre os DIs janeiro/2021 e janeiro/2019 - subiu a 217 pontos, nova máxima histórica. O movimento foi puxado por alta nos DIs longos. A variação dessas taxas foi moderada, mas é a persistência da rota ascendente que chama a atenção. Grandes instituições financeiras veem excesso de prêmio excessivo na diferença entre as taxas. Morgan Stanley, Nomura e BNP Paribas já recomendaram posições a favor da queda da inclinação na curva - ou pelo menos das taxas mais longas. A velocidade de aumento dessas diferenças também tem surpreendido. Desde o fim de agosto, a alta já é de 89 pontos-base. Nos dois meses até outubro, a elevação fora de 57 pontos, depois de 44 pontos nos dois meses findos em setembro. A piora mais recente tem sido associada sobretudo ao enfraquecimento das perspectivas quanto à reforma da Previdência. Em meio a um cenário externo que tampouco ajuda, o mercado reagiu mal a mais ruídos entre o governo e a base (especialmente PSDB), que após a votação da segunda denúncia contra o presidente passaram a impressão de que a reforma da Previdência poderá sair mais diluída e cara. Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 caía a 7,270% (7,290% no ajuste anterior). O DI janeiro/2020 tinha taxa de 8,590% (8,570% no último ajuste). O DI janeiro/2021 ia a 9,440% (9,410% no ajuste anterior). E o DI janeiro/2023 subia a 10,220% (10,180% no último anterior).