Maçonaria vive guerra política com acusações de golpe e suspeitas em série

Publicado em 16/04/2018 por Folha de S. Paulo Online

Com 195 anos de existência, a Grande Oriente do Brasil passa por um momento de guerra política no qual não faltam acusações de golpe e suspeitas de irregularidades.

O pano de fundo é a disputa em torno das eleições para Grão-Mestre Geral, o cargo máximo da entidade, que procura reproduzir o organograma do Estado Brasileiro.

Além do equivalente ao presidente da República, há ministros, deputados, governadores e juízes, entre outros.

O desentendimento transbordou dos tribunais maçônicos e chegou à Justiça comum, ou profana, como a denominam, algo impensável até pouco tempo atrás -recorrer ao Judiciário, pela lei penal maçônica, era considerado até 2016 um delito que poderia resultar em suspensão por prazo de 5 a 7 anos.

De um lado está o grupo de Marcos José da Silva, o atual mandatário, um ex-servidor aposentado que está no cargo há 10 anos e tenta emplacar o sucessor. Apoiou Barbosa Nunes, que morreu na semana retrasada e foi substituído por Múcio Bonifácio.

De outro, os aliados de Benedito Marques Ballouk Filho, grão mestre de São Paulo, que lançaram sua candidatura a presidente e reclamam de perseguição política.

Nos últimos meses, quatro grão-mestre estaduais ("governadores" de Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Sul e Pernambuco), todos apoiadores do candidato da oposição, tiveram seus direitos associativos suspensos por decisão da instância nacional.

"O que está ocorrendo é um absurdo inaceitável", afirma Roberto Araújo, "governador" do Ceará. "Fui punido simplesmente porque decidi apoiar a outra candidatura", diz Araújo, que restabeleceu seus direitos associativos com uma liminar obtida na Justiça comum.

Ao retornar, descobriu que portas de seu gabinete tinham sido arrombadas por um interventor.

Além da intromissão nos estados, a oposição reclama do adiamento da eleição, que estava marcada para o dia 10 de março, mas foi suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal maçônico.

Aliados de Ballouk afirmam que o objetivo da medida é ganhar tempo para impugnar a candidatura da oposição por algum motivo burocrático qualquer.

A Folha procurou o grão-mestre geral, Marcos José da Silva, mas não obteve resposta. O candidato de oposição, Ballouk, também não concedeu entrevista ao jornal.