Macron: seis meses de reformas aceleradas e queda na popularidade

Publicado em 14/11/2017 por O Globo

Macron consola parentes de vítimas dos atentados de Paris de 2015, no segundo aniversário do massacre perpetrado pelo Estado Islâmico - POOL / REUTERS

PARIS - Em seis meses, o presidente francês, Emmanuel Macron, realizou reformas em grande velocidade, com um estilo considerado, por vezes, autoritário, o que lhe custou uma impressionante queda na popularidade. Graças ao triunfo de seu partido, República em Marcha, nas eleições legislativas de junho, ele apresentou a lei sobre a moralização da vida política e impôs a reforma da legislação trabalhista, uma pequena revolução que continua gerando manifestações nas ruas. Medidas que levam observadores a considerar que o presidente eleito mais jovem da França, com 39 anos, já pensa em sua reeleição, em 2022.

- Ele mira um horizonte a muito longo prazo e não cede - resume uma fonte próxima.

Decidido a manter o ritmo acelerado, apesar da queda de 20 pontos em sua popularidade (atualmente em 42%), Macron impulsionou as reformas de auxílio desemprego, política habitacional e acesso à universidade. Em 2018 e nos anos seguintes, será a vez da Justiça e dos regimes de aposentadoria, além da promessa de reduzir o número de deputados e senadores.

Se a popularidade caiu, isso não se refletiu em benefício da oposição. Ante o efeito Macron, os partidos adversários parecem cada vez mais enfraquecidos. Nem os sindicatos, nem França Insubmissa (esquerda radical) conseguiram fazer frente à reforma trabalhista. O Partido Socialista ainda não se recuperou da derrota; os Republicanos, oposição de direita, estão divididos entre os que se uniram ao presidente (como o premier, Edouard Philippe) e os que desejam se manter na oposição; e a Frente Nacional (extrema-direita) tenta se reeguer após perder o segundo turno das presidenciais.

Mas o chefe de Estado ainda tem que combater o rótulo de "presidente dos ricos", principalmente depois da reforma sobre o imposto sobre fortunas, que reduziu a contribuição a ser paga pelos mais ricos. O Palácio do Eliseu espera mudar esta imagem abolindo o imposto sobre a propriedade.

- Ele tem tempo - assinala o analista político Bruno Cautrès, lembrando que as próximas eleições são em 2019.