Medo ainda ronda as dependências da UFMA no período da noite

Publicado em 11/10/2017 por O Estado do Maranhão

Estudantes e moradores do entorno da  UFMA andam à  noite no campus  do Bacanga

SÃO LUÍS - Passados seis meses de um período de terror vivenciado pelos alunos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no Campus do Bacanga, quando dois casos de estupro foram registrados em apenas uma semana, os frequentadores da instituição relatam que a infraestrutura e a segurança do local ainda deixam a desejar.

Os estudantes dizem sentir medo nas noites no campus. "Quando tem gente na parada, um protege o outro, mas quando ficam poucas pessoas, o jeito é pedir ajuda somente a Deus mesmo. Às vezes, me vejo obrigado a ir pegar ônibus em uma parada do lado de fora da UFMA para evitar qualquer surpresa desagradável porque os ônibus demoram muito a passar e isso deixa a situação bem mais complicada", afirma o universitário Werbeth Fernandes.

Ele diz que até existe a ronda policial, mas deveria ser mais frequente. "Mesmo quando olhamos as poucas viaturas da polícia passando, não nos sentimos totalmente seguros e talvez se houvesse mais policiais circulando em todas as dependências e em horário prolongado, até altas horas, esta situação poderia melhorar", observa Werbeth Fernandes.

Violência
Os casos bárbaros foram registrados dentro das dependências da UFMA. As vítimas com idade de 18 e 25 anos foram violentadas; uma delas foi estuprada perto da Concha Acústica, onde acontecia a calourada geral realizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), e a outra, foi abordada por um homem armado próximo a parada de ônibus do Centro Pedagógico Paulo Freire, que estava pouco movimentada na noite do ocorrido.

Na época, após os casos, a UFMA anunciou medidas emergenciais para dar segurança aos alunos, entre elas a instalação de um posto avançado da PM na Cidade Universitária, a implantação de projetos de conscientização e políticas públicas voltadas para a proteção da mulher nas dependências da universidade e a troca de luminárias.

Apesar destas intervenções, as pessoas que praticam atividades físicas no local, durante a noite, principalmente as mulheres, manifestam o medo de caminhar próximo às áreas com pouca iluminação e com vegetação mais alta, pois segundo elas, nestes locais, o risco de assaltos é maior.
"Os bandidos podem simplesmente estar escondidos no mato e, quando qualquer um de nós passarmos, podem anunciar o assalto ou cometer qualquer outro tipo de atrocidade" pontua a funcionária pública Jéssica Maria Leite.

Declarações

Em nota, a direção da UFMA relatou que, desde o mês de abril, a instituição tem se empenhado em diversas ações voltadas para garantir a segurança. Ressaltou também que em setembro, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) divulgou números positivos sobre a área Itaqui-Bacanga: nas informações mais atualizadas divulgadas nesta terça-feira, 10, do final de junho até o dia 3 de setembro, não houve registros de homicídios na região, além de haver diminuição de cerca de 60% do número de assaltos a ônibus na localidade este ano, em comparação com o ano de 2016, segundo estatísticas do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado do Maranhão (Sttrema).

Ainda de acordo com informações divulgadas pela universidade, a queda na quantidade de casos se deve à "Operação Busca Implacável", cujos números são acompanhados de perto pela UFMA; por meio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes). No total, de janeiro a agosto de 2016, foram 37 assaltos a coletivos, contra 16 cometidos em 2017, conforme dados divulgados pelo Sttrema.

Segundo a assessoria da instituição de ensino, a PM tem atuado em grande sincronia com o setor de segurança da UFMA: além da proximidade com o 1º Batalhão, três equipes de policiais militares estão instaladas em um posto de monitoramento instalado no Centro de Convenções da Cidade Universitária, onde um oficial realiza o monitoramento das principais avenidas por uma tela conectada a câmeras da Universidade.

Rondas
Além disso, a UFMA conta com uma ronda 24 horas feita por uma viatura da polícia, sendo assim, movimentos suspeitos são imediatamente informados aos policiais que realizam rondas em viaturas durante dia e noite na UFMA.
"Tem sido uma parceria muito boa. A polícia tem mantido equipes com patrulhas, e a comunicação têm sido imediata por telefone e pelos rádios.

Sempre que nossa equipe identifica uma situação estranha na Universidade, o coronel é comunicado imediatamente, para realizarem apurações e até abordagens. Até mesmo quando há boatos, nós e a polícia procuramos verificar. A atenção redobrada de professores, alunos, servidores, coordenadores de cursos, chefes de departamentos e diretores de centro tem contribuído muito para a diminuição das ocorrências", afirmou o prefeito do Campus, Deivid Porto.

O pró-reitor de Assistência Estudantil, João de Deus Mendes, lembrou que, após o receio inicial da comunidade acadêmica por causa da presença dos policiais, a relação entre as pessoas e os oficiais tem sido muito pacífica. "Nós, da UFMA, e o coronel Mesquita sempre conversamos, sempre acompanhamos de perto a situação da segurança na UFMA e em seu entorno. No início, alguns professores e alunos tinham medo de abordagens truculentas, mas já temos um ano do convênio com a PMMA e nunca vimos isso, não houve nenhuma queixa de alunos ou de outras pessoas", destacou.

Saiba mais

Manutenção

A universidade também informou que está no processo de finalização do Plano de Manutenção previsto para 2018, o qual é destinado para a aquisição de lâmpadas de led que possibilitarão a diminuição da reutilização de reatores e a melhoria no fornecimento de energia aos usuários.

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