O memorial de Azambuja

Publicado em 10/08/2018 por Valor Online

O memorial de Azambuja

Marcos Azambuja usa um broche minúsculo na lapela esquerda de seu blazer. De tão pequeno, mal se distinguem as cores azul, branco e vermelho. É a legião de honra, diz, em francês, sobre a condecoração criada no século XIX por Napoleão Bonaparte. Agraciado na condição de embaixador do Brasil na França, seu último posto no Itamaraty, no início de 2003, Azambuja aproxima o dedo indicador da honraria e faz blague: "Um amigo diz que a legião não se deve pedir, recusar ou usar".

Nenhuma caricatura do embaixador resiste à sua capacidade de rir de si mesmo. A virtude fez com que, durante muito tempo, recaísse sobre ele a autoria de toda piada de sucesso sobre o Itamaraty. Hoje, o ajuda a viver como um homem fora do seu tempo. Nasceu em 1935 em um Brasil de 40 milhões, um quinto da população atual. Tornou-se diplomata em um momento em que o Itamaraty cabia no Country Club do Rio e não tinha uma única representação africana. Chegou para servir na ONU quando apenas 40 países a integravam. Hoje são mais de 200.

Marcos Azambuja deixou o Itamaraty há 15 anos, mas a diplomacia nunca saiu dele. A começar do incidente que deu início ao almoço. O embaixador já se servia de um suco de tomate, sentado à sombra de um guarda-sol nos jardins que cercam as piscinas e quadras de tênis do Country Club, na avenida Vieira Souto, Ipanema, quando foi abordado por um gerente do clube. Cordato, o funcionário lhe informou que a parafernália do fotógrafo Leo Pinheiro não poderia ser montada ali sem prévia autorização. Derrotado na sua ponderação, Azambuja não insistiu. Matou no peito a bola preta. Sem consulta prévia, falhara no cerimonial.

Sem polemizar ou perder o bom humor, o embaixador liderou a comitiva em um táxi rumo ao Le Vin, pequeno bistrô francês, também em Ipanema. No caminho, mostrou recantos do bairro. Invocou o Conselheiro Aires, personagem de Machado de Assis que volta ao Rio depois de uma vida no exterior. Em seguida, faz graça do seu início de carreira, quando passou 15 anos em Brasília, do auge da ditadura até a abertura. "Saí do Rio achando que ia conhecer o mundo e acabei em Goiás."

Ingressou no Itamaraty em 1955, no governo Juscelino Kubitschek, e lá permaneceu por 48 anos. Ocupou seu primeiro posto no exterior numa ONU recém-criada, chefiou a delegação brasileira para desarmamento e direitos humanos em Genebra, foi secretário-geral do Itamaraty e serviu como embaixador em Buenos Aires até encerrar a carreira em Paris.

Ao passar pela frente do colégio Notre Dame, a lembrança, como muitas outras ao longo da conversa, vem editada, sem cortes. Só de meninas até os anos 1950, o colégio permitia garotos até o segundo ano primário, quando, aparentemente, a periculosidade masculina recomendava que fossem apartados. Aqueles anos lhe renderam uma de suas fotografias prediletas, em que aparece, numa procissão, vestido de anjo.

Confundida com os celulares dos passageiros, a persistente tremedeira do táxi se revelaria um cano de gás descalibrado que passava por baixo do banco de trás do carro. Finda a trepidante jornada, com a comitiva assentada no restaurante e devidamente autorizada, o embaixador retomou o relato. Acabaria por demonstrar por que a profissão, abraçada pela falta de vocação por qualquer outra carreira, burilaria a propensão à conciliação.

Leo Pinheiro / Valor

Aos 83 anos, Azambuja saiu do Itamaraty há 15, mas a diplomacia não o deixou: "É um defeito tardio"

O pai, oficial da Marinha que chegou a almirante, foi adido militar no Peru e na França, mas a vivência não parece ter sido determinante à escolha. Quando era moço, atormentavam-se os jovens perguntando o que seriam quando crescessem. E havia um momento em que era preciso ter uma resposta. Acabou optando por uma atividade que reunisse a tríade prestígio, decoro e relevância - "A diplomacia é um defeito tardio", resume.

A profissão lhe trouxe o trato permanente com interlocutores que sempre lhe pintavam o quadro de um Brasil autoritário, pobre, injusto e desigual. O exercício permanente da contemporização o mantém confortável na posição de quem prefere manter o leme contra a maré.

Não atribui longa vida ao pessimismo nem com uma ordem mundial virada ao avesso por Donald Trump, nem com um Brasil em desalinho. Debita a desordem atual ao longo ciclo de paz e prosperidade - "O mundo tem dado certo, grosso modo. Os últimos 70 anos sem uma grande guerra permitiram acumulação de bens e serviços". Mais por uns do que por outros. O embaixador assente e rebate: "As formas institucionais de desigualdade, a colonização e a escravidão, já não existem".

Quando entrou no Itamaraty, quase toda a África e parte da Ásia ainda eram extensões coloniais. Estreou na diplomacia na segunda metade do século XX numa ordem estabelecida no século XIX. Havia opressão, como há hoje, com a diferença de que era legitimada pelas instituições, pondera - "É prodigiosa a melhora das circunstâncias, ainda que a cada conquista se vislumbre um novo horizonte de objetivos".

Para, de tempos em tempos, para perguntar se está sendo claro, como se não falasse a mesma língua da interlocutora. Como custasse a convencer de seu otimismo, cruza o dedo indicador sobre os lábios fechados e leva a outra mão, em forma de concha, à orelha: "Ouça o burburinho". O único barulho na varanda daquele restaurante vinha das conversas das mesas vizinhas e dos transeuntes que passavam pela calçada. "É o barulho do Brasil", diz, para convencer os comensais de que havia mais vida naquela varanda lotada do que nas previsões catastróficas sobre o futuro do país. Não lembra há quanto tempo não visita uma favela, mas, definitivamente, não quer se deixar intoxicar pelo noticiário - "Ser brasileiro é um privilégio extraordinário".

Para um homem de sua idade, que cresceu num Rio de poucos restaurantes na zona sul e nenhum em Ipanema, um lugar daqueles com mulheres comendo sozinhas ou na companhia de outras mulheres, ainda é algo a celebrar. Dia desses, passou mal. Durante dois dias foi revirado por exames de cima a baixo. "Sou do tempo em que se dizia 'põe a língua pra fora e fale 33'. Vamos convir que era de um primitivismo atroz".

Atribui a proliferação de controvérsias a um mundo em que as pessoas estão de "porre" da liberdade de poder falar. As redes sociais deram voz e opinião a quem não tinha - "Daí prolifera o rancor, o ressentimento e a inveja... É a natureza humana. Agora, isso se supera. O que não se pode é pensar em voltar atrás".

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Em 1995, quando era embaixador na Argentina, com Fernando Henrique

Créditos: Fundação Fernando Henrique Cardoso

Encontro com Zagallo durante treino da Seleção Brasileira na França

Créditos: Toni Pires/Folhapress

Com a embaixatriz, Liliane, em exposição no Carrousel du Louvre

Créditos: Eduardo Knapp/Folhapress

O embaixador na Casa Brasil-França em exposição de Jô Soares

Créditos: Marcos Ramos/Agência O Globo

O garçom traz patê de foie, azeite, manteiga e aquele pão crocante de arrependimento. O de Azambuja ainda demora. Depois de fazer um giro pela ordem mundial, teme que seu otimismo doméstico soe descalibrado. Atribui a eleição de Donald Trump ao desafio colocado pela eleição de Barack Obama ao estamento americano que se via detentor de uma posição garantida pela cor da pele. Diz que a eleição do presidente americano colocou a ordem democrática liberal em xeque ao mostrar que a globalização teve ganhos assimétricos e disseminou insatisfações.

Acredita que Trump, assim como líderes populistas nacionalistas como Mussolini e Hitler, dá certo porque capturou um movimento da economia que liberou o crescimento, mas vai encontrar seu momento limite, que ainda não é o das eleições de meio de mandato - "Há uma hora em que eles fazem o que não deviam, atravessam a ponte proibida".

Azambuja vê se aproximar o ciclo que se iniciou depois da Segunda Guerra Mundial. Constata que tanto a Rússia quanto a China demonstram as vantagens do autoritarismo sobre a racionalidade liberal. Aposta que a hegemonia de uma ordem mais democrática, com Estado de direito e respeito ao meio ambiente, terá que evoluir para corrigir assimetrias econômicas e sociais se quiser continuar a prevalecer.

Pela lente do mundo que se acostumou a observar, o embaixador se dá conta de que precisava relativizar seu otimismo tupiniquim. A tendência do país de dar nomes altissonantes ao que se inicia produz frustrações precoces. A polícia é pacificadora antes da paz, o porto é maravilha antes de se tornar porto, a casa é minha vida, antes de se tornar uma casa.

O Brasil, conclui, é muito melhor do que achamos e muito pior do que suspeitamos. "Não conheço quase ninguém, falando novamente de Brasil, que julgue viver pior hoje do que vivia 30 anos atrás." Mas e se o relógio do tempo voltar cinco anos, a percepção não é de perda? A resposta a essa pergunta vem com a afirmação mais surpreendente de toda a conversa: "O Brasil só vai voltar a crescer e a imagem do país só vai melhorar quando Lula for solto".

Marcos Azambuja não participou da formulação da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a qual ainda hoje guarda reservas. Não tem militância de esquerda, nunca votou em Lula nem pretende fazê-lo. Ao longo dos últimos meses, ex-presidentes e ex-primeiro-ministros de quatro países europeus, entre os quais José Luiz Zapatero (Espanha), François Hollande (França), Massimo D'Alema (Itália) e Elio Di Rupo (Bélgica), subscreveram um documento pela libertação de Lula. Até o papa Francisco fez um gesto de boa vontade ao enviar uma bênção ao ex-presidente. Azambuja, no entanto, não cita nomes ou conversas para sustentar sua convicção. Simplesmente não vê como o Brasil possa retomar sua rota sem uma conciliação e não há como fazê-la com o ex-presidente preso.

O embaixador pede um "steak tartare" com fritas. Leo Pinheiro, para não incomodá-lo na fotografia do prato, faz o mesmo. Para acompanhar a carne, naquele início de tarde abafada, pede "La Cuvée Rose". A taça do vinho rosé custa a chegar, mas não o impede de discorrer com tranquilidade sobre o campo minado em que acabara de entrar. Nunca privou da intimidade de Lula, mas conviveu o suficiente com o ex-presidente para admirar-lhe a inteligência e a argúcia.

Leo Pinheiro / Valor

O embaixador diz que é preciso ter a medida exata do poder do Brasil no mundo: nem ficar aquém para não virar um anão diplomático, nem ir além para se transformar num ator retórico

Recebeu-o em Paris quando Lula já era a principal liderança de oposição. Contou-lhe a história que, no passado, fez a fama da embaixada do Brasil na cidade. Abordado sobre o horário de funcionamento, o porteiro do prédio informou que só abriria à tarde. Ante o inconformismo do transeunte - "Ninguém trabalha nessa embaixada?" -, o funcionário, portador de um passaporte português, respondeu-lhe: "Agora não tem ninguém. É à tarde que eles não trabalham". O embaixador viu a história ser reproduzida com muito mais graça horas depois num evento do qual o ex-presidente participara: "Lula era visto internacionalmente como o rosto do Brasil, cordial, risonho, afável. Seu governo produziu a ideia euforizante de que o país, finalmente, estaria chegando lá. Aquele era o 'guy', como dizia Obama. Com sua prisão, o Brasil saiu de moda".

Azambuja não vê ressonância no discurso oficial de que a prisão de Lula é uma demonstração de que as instituições funcionam. Rechaça ainda qualquer comparação entre os danos causados à imagem do Brasil por sua prisão e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. "Sou muito crítico da corrupção, mas ainda mais severo com a incompetência. É destruidora", diz. "E Dilma nunca atingiu nada que se assemelhasse ao prestígio ou à vitimização de Lula. Não é um personagem da mesma estatura nem é associada ao ex-presidente. Lula é uma das personalidades mais interessantes que surgiram no mundo em desenvolvimento nos últimos tempos."

A opinião de Azambuja é muito mais balizada pelo personagem do que por sua política externa. É nostálgico do Itamaraty mais elitista sem ser saudosista. Vê um Instituto Rio Branco rigoroso nos exames e diplomatas ainda mais bem formados. Mas define como um passo além da perna a tentativa brasileira de se associar à Turquia para influenciar o Irã. Não vê má-fé, mas julgamento equivocado de que havia uma janela de oportunidade para o país no canto mais complicado do planeta.

Ao longo de sua carreira, assistiu à descolonização, ao fim do Apartheid, à interrupção das experiências atômicas, à consagração do direito do mar, ao avanço na proteção do meio ambiente, mas não viu a situação no Oriente Médio melhorar. Ao contrário. Assistiu à escalada da tensão num conflito que é ao mesmo tempo religioso, geopolítico, territorial e econômico, num espaço pequeno, de escala quase municipal: "O Brasil queria fazer um gol de placa no Oriente Médio e ali não há gol de placa".

O vinho chegou quando o "steak tartare" já estava pela metade. O embaixador levanta a cabeça, avista um senhor e lhe devolve o aceno. "Na dúvida, sempre respondo a qualquer pessoa de cabelos brancos. Cresci num Rio em que todo mundo se conhecia", diz, incapaz de identificar o comensal que acabara de deixar o restaurante.

A crítica à política externa de Lula não significa que o embaixador endosse a atual, a começar pela Venezuela. Vê um problema sem solução, o de um país excessivamente dependente de um produto em crise e caudatário de um líder carismático, sem sucessor. Se não admira Nicolás Maduro, Azambuja tampouco elogia a oposição. Como a situação do presidente é terminal, o Brasil não poderia ficar excessivamente ativo em relação ao seu governo, nem pela proximidade nem pela distância: "Nosso desafio é ter a medida exata de nosso poder. Não ficar aquém, para não passar a ser um anão diplomático, nem ir além, para não se transformar num ator retórico".

E quando a diplomacia brasileira refletiu a medida exata do seu poder? Escolhe dois momentos, ambos no Cone Sul. O primeiro aconteceu durante a guerra das Malvinas, quando o Brasil se manteve fiel à ideia de que a Argentina tinha direito a reclamar aquele território como seu, mas não tinha o direito de invadi-lo - "Foi uma posição tão sábia que, finda a guerra, nos tornamos mediadores". O segundo foi com Itaipu, que viabilizou o programa hidrelétrico, em cooperação com o Paraguai, sem conflito com a Argentina.

O risoto de camarão da repórter chegara ao fim, mas o "steak tartare" ainda resistia no prato do embaixador. Não parecia disposto a uma sobremesa, mas, de repente, animou-se: "Quer dividir uma 'île flotant'?". Os ovos nevados chegaram gigantes. "Você fica com a fronteira oeste, e eu, com a leste." De tão farta, a sobremesa sobreviveu a quatro mãos. O café já estava a caminho quando o relógio, olhado pela primeira vez desde o início daquele almoço, mostrou que dali a uma hora decolaria o voo de volta para São Paulo.

Morador do Flamengo, a caminho do aeroporto, o embaixador aceitou a carona do táxi pedido às pressas. Embarcado, mudou de ideia. Para facilitar a vida da atrasada passageira, ficaria em casa depois. O trânsito parecia inaudito mesmo para uma sexta-feira. E não apenas de carros. Multidões se dirigindo à praia como se fossem 10h da manhã e não um fim de tarde. De tão lotada, a pedra do Arpoador parecia um formigueiro gigante. Os dois passageiros pareceram ao motorista daquele táxi os únicos a desconhecer que logo mais haveria o eclipse lunar, responsável por atrair, num Rio de Janeiro em ebulição de violência e corrupção, todo aquele público à praia.

Azambuja vê uma pessoa de sexo indecifrável passar por sua frente e comenta: "Não é extraordinário? Amanhã pode mudar de ideia". Avista um idoso desatento na calçada e diz: "Daqui a pouco alguém vai gritar, cuidado veterano". Como a lei permite que os idosos não paguem, muitos motoristas passaram a não parar mais ao seu aceno. Isso fez com que muitos se acidentem enquanto correm pelas atrás de seus ônibus - "O Rio, durante séculos, foi melhor do que o Brasil. Agora está pior".

Só o humor daquele carioca segue inabalável. O táxi passa pelo prédio abandonado de um antigo hospício e ele conta a história do motorista que parou ali para trocar o pneu de seu carro. Como os parafusos tivessem caído no bueiro, ele ficou sem saber o que fazer até ouvir o louco gritar da janela:

"Tira um parafuso de cada roda e coloca essa para rodar".

O motorista faz o que ele manda, inconformado de não ter tido antes a ideia.

"Isso aí não é um hospício?"

"Sou louco, mas não sou burro".

A aposentadoria do Itamaraty não lhe tirou de cena. Está para concluir "Memórias Quase-póstumas de Marcos Azambuja", título provisório do livro que vai sair pela editora José Olympio. Divide-se ainda entre as atividades que lhe rendem honrarias e aquelas que lhe trazem honorários. Entre as primeiras estão o Instituto Histórico e Geográfico e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Neste, orgulha-se de integrar o time de conselheiros que conseguiu evitar a demolição do Hotel da Glória, por Eike Batista, e a conclusão do prédio do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que tiraria a vista do corredor da Vitória, em Salvador.

Os honorários ficam por conta dos conselhos dos quais participa, em multinacionais francesas e na Fecomércio, em São Paulo, além das atividades no Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), na Fundação Getulio Vargas. Pelo entusiasmo com que fala do agronegócio no Centro-Oeste, mostra que os 83 anos não lhe arrefeceram o ritmo de viagens.

"Um amigo diz que não paro porque minhas pernas cabem na classe econômica", diz, do alto de 1,61 metro. "Mas essas viagens me fazem ver que o país vai vingar. Em excesso, a crítica moralizante gera não uma indignação, mas um adesão àquilo que não se deseja. Mas o que é uma Lava-Jato ante uma Inglaterra que provocou uma guerra na China para vender ópio ou os Estados Unidos provocando uma guerra civil para recolonizar o sul?".

Finda aquela viagem, o embaixador tomou seu rumo para o Flamengo. O Santos Dumont não parecia aquele lugar privilegiado de 50 anos atrás descrito por Azambuja, mas o perfil predominante tampouco era o de viajantes de milhagem. Ainda levaria duas horas para aparecer um assento para São Paulo. Tempo para dar início ao registro das histórias eclipsadas daquele caixeiro-viajante, mercador de Brasil. Levou muito tempo para o Brasil chegar até aqui. Fez o século XIX sem carvão e o XX sem petróleo. Vai dar certo aos pedaços para fazer o XXI. O que parece novo é a história que não se leu.