O país que tenta ressurgir após "sumir do mapa" do futebol

Publicado em 14/09/2018 por Yahoo Brasil

Ali Khan Niazi, de branco, representando o Paquistão nos Jogos Asiáticos (ARIEF BAGUS/AFP/Getty Images)Ali Khan Niazi, de branco, representando o Paquistão nos Jogos Asiáticos (ARIEF BAGUS/AFP/Getty Images)

Por Leandro Tavares (@leandroptavares)

Um hiato de mais de três anos. Esse foi o tempo que a seleção paquistanesa precisou recuperar ao entrar em campo no início de setembro para a disputa da Copa Sul-Asiática, em Bangladesh. Antes do compromisso de estreia na competição, a última partida oficial do Paquistão havia sido em março de 2015, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Desde então, o futebol parou no país - sem jogos da seleção ou campeonato nacional.

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Tudo começou (ou melhor, parou) em junho de 2015, com a reeleição de Syed Faisal Saleh Hayat para a presidência da Federação Paquistanesa de Futebol (PFF). Uma acusação de manipulação de votos tornou a eleição um assunto do Supremo Tribunal de Lahore, com investigações e disputas internas. Como a Fifa proíbe a "interferência de terceiros", incluindo entidades governamentais, nas federações, o Paquistão acabou sendo suspenso em outubro do ano passado.

Mas a punição da Fifa, impedindo que a seleção e clubes disputassem jogos internacionais, não foi o único resultado negativo da briga política. Desde o início do imbróglio, a crise no futebol do país se alastrou e levou até à paralisação do Campeonato Paquistanês. A Pakistan Premier League, que desde 2004 era disputada em um formato com 12 times, foi paralisada em 2015 e, a partir de então, não foi mais realizada por conta das divergências internas. Alguns clubes, inclusive, tiveram que interromper as atividades devido à falta de recursos.

É bem verdade que o futebol no Paquistão sempre teve dificuldades de funcionamento. Graham Roberts, ex-zagueiro do Tottenham e treinador da seleção paquistanesa entre 2010 e 2011, relatou à BBC que os jogadores precisavam comprar o próprio uniforme e arcar com os custos das viagens para treinar no período que ele esteve por lá. Além disso, alguns estádios não contavam com as condições ideais para o trabalho.

Desta vez, porém, os problemas foram mais do que estruturais. Em resumo, a bola parou de rolar no Paquistão. O país "sumiu do mapa" do futebol.

Em março deste ano, porém, a Fifa abriu caminho para o ressurgimento da modalidade no Paquistão. A entidade máxima do futebol retirou a sanção imposta à PFF cinco meses antes e tornou a seleção do país apta a disputar compromissos internacionais novamente.

A reestreia do Paquistão foi em 4 de setembro, com uma vitória por 2 a 1 contra Nepal na fase de grupos da Copa Sul-Asiática. A seleção não entrava em campo desde o empate sem gols contra o Iêmen, em 23 de março de 2015. A última vitória havia sido em fevereiro daquele ano, diante do Afeganistão.

O retorno dos paquistaneses, inclusive, por pouco não foi triunfal. Sob o comando do técnico brasileiro José Antônio Nogueira, a equipe avançou à semifinal após duas vitórias e uma derrota na fase de grupos. No mata-mata, o Paquistão caiu diante da Índia. Apesar disso, houve motivos para comemorar. A campanha foi a melhor do país desde a edição de 2005.

Agora, a Federação Paquistanesa tem um novo desafio: reestruturar o futebol local. A PFF pretende criar uma liga totalmente profissional, com equipes masculinas e femininas, em até três anos, além de tornar a modalidade o esporte mais popular do país, à frente do críquete.

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