Petista enfrenta desconhecimento

Publicado em 14/09/2018 por Valor Online

Petista enfrenta desconhecimento

Marlene Bergamo/Folhapress

Manuela (esq.), Haddad e o ex-prefeito de Osasco, Emídio de Souza, na barraca de Lucilene, no centro da cidade

Candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad fez na manhã de ontem uma caminhada pelo centro de Osasco, cidade na Grande São Paulo conhecida como a "capital do cachorro-quente". Acompanhado de sua vice, Manuela d'Ávila (PCdoB), rodeado por militantes e jornalistas, o presidenciável fez uma boquinha no carrinho onde trabalha Lucilene Barbosa Santos, 30 anos - um dos mais de 30 que se espalham pelo calçadão da rua Antonio Agu.

A reportagem perguntou a Lucilene: "Você sabe quem é ele?".

"É o Emídio, né?", respondeu, referindo-se ao ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza, um dos coordenadores de campanha de Haddad, que também abocanhou um sanduíche ao lado da dupla.

Informada de que o homem alto trajando uma camiseta com o rosto de Lula estampado era Fernando Haddad, ela respondeu, meio sem jeito: "Haddad? Já ouvi falar".

A situação expõe um problema a ser enfrentado pelo petista, que só nesta teve sua candidatura oficializada com a bênção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de vincular um à imagem do outro, o PT precisa tornar Haddad conhecido do público.

Pesquisa Datafolha divulgada na última segunda-feira mostrou que 65% do eleitores sabem quem é Haddad - um avanço ante os 59% registrados em agosto.

Lucilene trabalha há dez anos no calçadão da Antonio Agu, onde os políticos costumam passar em época de campanha para fazer comer o famoso "hotdog de Osasco". Tanto Lula quanto Dilma Rousseff já fizeram isso, e Lucilene se lembra da passagem da ex-presidente petista. "Mas ela comeu em outra barraquinha", afirmou.

A vendedora disse saber que Haddad é o candidato apoiado por Lula. E foi indagada sobre se votaria nele por isso. "Não sei, tem que pensar bem... Mas acho que sim."

A transferência dos votos de Lula, que chegou a ter 39% da preferência dos eleitores, é a principal aposta do PT para colocar Haddad no segundo turno da eleição presidencial. Segundo o Datafolha, 33% dos entrevistados disseram que votariam "com certeza" no candidato apoiado por Lula. Outros 16% afirmaram que poderiam fazê-lo.

Durante sua caminhada ontem por Osasco e Carapicuíba, Haddad buscou diversas vezes fazer essa associação. Em discurso, disse que sua candidatura foi oficializada "depois do ato de violência que foi cometido contra o presidente Lula", impedido de concorrer com base na Lei da Ficha Limpa.

"Nos temos um plano de governo, que a gente deu o nome de Plano Lula de Governo. O Lula assinou com a gente o plano de governo que nós entregamos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)", disse ele em Carapicuíba, após ser apresentado ao microfone como "Fernando Haddad Lula da Silva".

Questionado sobre a ideia de usar 10% das reservas internacionais para financiar projetos energéticos, contida no plano de governo do PT, respondeu que "quem acumulou as reservas foi o presidente Lula, ele seria o último a querer acabar com isso".

No discurso em Osasco, Haddad repetiu as palavra ditas pelo líder petista no dia 7 de abril deste ano, quando foi preso. "O Lula não é uma pessoa, o Lula é uma ideia, um projeto que nós representamos", afirmou. "A única chance de esse país sair da crise é o Plano Lula de governo, que nós vamos implementar."