Pregão mostra que economistas já esperavam a piora da nota do país

Publicado em 12/01/2018 por Jornal Nacional - TV

Em São Paulo, o primeiro pregão do mercado financeiro depois do anúncio da Standard & Poor´s mostrou que parte dos economistas já aguardava essa piora na nota do Brasil.

Como se diz no "economês", já estava no preço. O mercado financeiro teve um dia tranquilo, apesar do rebaixamento da nota de risco do Brasil. Os investidores já esperavam que isso acontecesse depois que a votação da reforma da Previdência foi adiada de dezembro de 2017 para fevereiro.

A Bovespa se manteve estável fechando o dia com leve queda de 0,02% e o dólar fechou cotado a R$ 3,206, baixa de 0,38%.

Mas a preocupação do mercado com o descontrole das contas públicas continua. Como o governo está com dificuldade de convencer os parlamentares da necessidade de uma reforma profunda na Previdência, especialmente num ano eleitoral, o temor dos investidores é que passe no Congresso uma reforma muito tímida.

"Há uma preocupação muito grande de ser aprovada uma reforma muita pequena agora e a capacidade do próximo governante em 2019 fazer uma reforma como deve ser feita para colocar as finanças em dia. Essa preocupação também tem sido um fator importante na decisão desse rebaixamento do país", comenta Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings.

Mas, afinal, o que significa para um país ter a sua nota de risco rebaixada? Primeiro significa que piorou a percepção dos analistas internacionais sobre a capacidade de o Brasil pagar as suas dívidas. Por causa disso, empresas brasileiras que frequentemente buscam financiamento no exterior para investir no país vão pagar mais caro por esse empréstimo.

Além disso, um investidor, um empresário estrangeiro que esteja querendo abrir, por exemplo, uma empresa no Brasil, e com isso gerar empregos, agora com a queda na nota de risco ele vai pensar duas vezes.

O economista Maílson da Nóbrega lamenta mais um rebaixamento da nota de risco. Ele lembra que, dez anos atrás, o Brasil conquistou o tão desejado grau de investimento, que qualifica um país como seguro para se investir. Mas de lá para cá, com o descontrole nas contas públicas, a confiança virou desconfiança:

"O Brasil perdeu o grau de investimento em 2015, perdeu novamente em 2016, está perdendo novamente em 2018. Isso significa que o Brasil, na minha avaliação, vai levar pelo menos uns cinco anos para recuperar o grau de investimento".

E, para isso, segundo ele, é fundamental controlar as contas:

"Eu diria que esse hoje é no campo econômico o problema mais grave do país. E que se não for resolvido vai nos levar de volta ao ambiente de hiperinflação que nos desgraçou durante longo período da história do país".