Presidente não tem muito o que comemorar

Publicado em 16/05/2018 por Valor Online

Presidente não tem muito o que comemorar

A solenidade promovida pelo presidente Michel Temer para marcar os dois anos de seu governo ocorre num momento menos favorável do ponto de vista eleitoral do que gostariam o emedebista e seus aliados.

A Presidência da República organizou um evento com a presença de ex-integrantes de sua administração, ministros e parlamentares. Temer destacou uma série de ações e indicadores positivos da economia, mas, olhando para frente, não tem muito a comemorar: o presidente continua com índices baixíssimos de aprovação e seu projeto eleitoral até agora não vingou.

A poucos meses das eleições, o eleitor não relaciona a acanhada recuperação econômica ao governo Temer. Pior: autoridades do Planalto sabem que, depois de criar expectativas positivas em relação ao futuro quando houve o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, parcela considerável da população permanece insatisfeita com seus custos de vida e perspectivas no mercado de trabalho para si e seus familiares. E atribui a situação à corrupção.

Além disso, investidores têm travado projetos até terem mais certeza do país que encontrarão após as eleições, o que deve dificultar ainda mais uma maior recuperação da economia e do mercado de trabalho, como gostariam de ver autoridades do Planalto e articuladores das pré-candidaturas governistas.

Na segunda-feira, por exemplo, pesquisa do instituto MDA divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) voltou a apontar a baixa popularidade de Temer. Entre os entrevistados, 19,6% disseram considerar o governo ruim e 51,6% péssimo. Além disso, 82,5% desaprovam o desempenho pessoal do presidente da República.

A mesma pesquisa voltar a citar Temer e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, os dois pré-candidatos do MDB, com modestas intenções de voto.

No fim de seu discurso, Temer agradeceu à parte do povo que defende a manutenção do país no rumo traçado nos últimos dois anos. Pelo menos por ora, essa parcela do eleitorado não é capaz de garantir a Temer uma posição de destaque na disputa presidencial.