Profissionais querem ter propósito maior no trabalho

Publicado em 11/10/2017 por DCI

11/10/2017 - 05h00

Profissionais querem ter propósito maior no trabalho

Cerca de 46% dos funcionários trocariam de emprego se tivessem uma proposta diferenciada, diz pesquisa Evolution of Work feita pela ADP

São Paulo - Apesar de toda a crise no mercado internacional nos últimos anos, 46% dos trabalhadores consideram a possibilidade de trocar de emprego caso vislumbrem um propósito maior e mais valorização profissional e pessoal. A mudança pode até ser feita pelo mesmo salário, mostrando que o dinheiro nem sempre é um motivador, como indica pesquisa Evolution of Work.

O levantamento foi feito em 13 países diferentes pela ADP, gigante global em serviços na área de recursos humanos. O estudo mostrou que o avanço da crise em todo o mundo na última década gerou uma insegurança generalizada entre empregados e empregadores. Tanto que 56% dos colaboradores não se sentem seguros no trabalho.

Mas, diferentemente de outras crises, os funcionários insatisfeitos, mesmo com ambiente inseguro, trocam de emprego se houver uma oportunidade com uma proposta diferente. "As novas gerações consideram mais importante ter um propósito do que ganhar mais. E é fundamental que isso passe a ser considerado pelas empresas e pelos executivos que as lideram", explica a vice-presidente de Recursos Humanos para América Latina da ADP, Mariane Guerra, alegando que 82% dos entrevistados afirmam que querem desempenhar um papel importante em suas companhias e na sociedade.

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Segundo Mariane, o levantamento mostrou ainda que, apesar de só 19% dos funcionários admitirem que estão procurando emprego, cerca de 42% confessaram estarem abertos às novas oportunidades, mesmo não procurando "ativamente" por elas.

Por outro lado, só 21% dos empregadores acham que seus funcionários estão dispostos a mudar de trabalho, o que demonstra como muitos empregadores estão enganados sobre os desejos dos seus empregados atualmente.

Além disso, outro dado mostra como empregados e empregadores divergem sobre os assuntos. Nos 13 países pesquisados pela ADP, colaboradores se sentem mais desvalorizados do que seus empregadores acreditam.

O diferencial da pesquisa, segundo a executiva, é justamente a possibilidade de confrontar os dois lados e as diferenças nos posicionamentos de cada um.

"Durante a crise, a insegurança até aumenta e a troca de emprego cai mesmo. Mas isso não é nenhuma garantia de que os talentos ficarão obrigatoriamente numa determinada empresa", explica ela.

Liderança

Além do propósito maior, os funcionários ainda precisam se sentir confiantes com a liderança e a capacidade da empresa em inovar. "O funcionário quer vislumbrar crescimento na carreira, por isso, se ele achar que pode crescer mais em outra companhia, ele muda", acrescenta.

Por isso, a dinâmica de retenção de talentos deve mudar nos próximos anos, especialmente com o avanço da geração Millenials no mercado de trabalho. As empresas, segundo Mariane, precisam determinar que talentos querem buscar e como vai se tornar atraente para que queiram ficar nela. "Além disso, no Brasil, a Reforma Trabalhista ainda trouxe mais desafios nas relações laborais, com diferença nas horas de trabalho e flexibilização. E não dá para ficar parado, porque as empresas são feitas de pessoas e isso precisa ser considerado", admite a executiva, acrescentando que se quiser ter resultado diferente precisa fazer coisas diferentes. O estudo, feito pelo ADP Research Institute, mostra que tudo podem ser amenizado com a melhora da comunicação entre empregadores e empregados.

Anna França

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