Queda do desemprego indica melhora do Índice de Miséria

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

Passada a fase de queda intensa da inflação, a diminuição da taxa de desemprego deve contribuir para a melhora da sensação de bem-estar das famílias. É o que aponta o Índice de Miséria, calculado pelo Banco Fibra. Essa melhora pode, inclusive, ter impactos na eleição presidencial do ano que vem, acredita Cristiano Oliveira, economista-chefe da instituição financeira. O Índice de Miséria é calculado pelo Fibra e combina inflação e emprego para reproduzir, de maneira simplificada, a sensação de bem-estar das famílias. Ele foi criado pelo economista americano Arthur Okun no começo dos anos 70, com o nome de Índice de Desconforto, rebatizado posteriormente pelo ex-presidente Jimmy Carter. Em outubro, o indicador do Fibra ficou em 15,2%. Quanto mais próximo de zero, melhor é considerada a situação do país. O auge da série histórica, iniciada em 2012, foi atingido em agosto do ano passado, quando o índice chegou a 20,6%. A partir daí, a desaceleração brusca da inflação passou a puxá-lo para baixo. Entre agosto do ano passado e agosto deste ano, o acumulado de 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 8,97% para 2,46%. Isso levou o Índice de Miséria para a casa dos 15%, patamar aproximado de fevereiro e março de 2015 e no qual permanece até hoje. A partir de agora, contudo, a inflação menor deve dar lugar à queda do desemprego como responsável pelo aumento do bem-estar. Oliveira calcula que o IPCA terminará em 2,8% neste ano e em 4,5% no próximo. Já a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua deve fazer o caminho inverso, caindo, na média do ano, de 12,5% para 11,2%. Se esses resultados se confirmarem, o Índice de Miséria irá a 14,4%, nível semelhante ao de janeiro de 2015. Além de mais lento do que no último ano, esse recuo deve ser marcado pela instabilidade. À medida que o mercado de trabalho se mostrar mais aquecido, a tendência é que, em alguns meses, o número de pessoas que procuram uma vaga seja maior do que a quantidade de postos abertos. Isso elevaria a taxa de desemprego. "A criação de vagas será lenta", diz. Mesmo assim, outros fatores que não entram no cálculo devem ajudar a aumentar a sensação de bem-estar, segundo Oliveira. "Veremos uma recuperação do salário, muito por causa da melhora do mercado de trabalho", afirma o economista. "A expansão da oferta de crédito para a pessoa física também já começou, mas, com a taxa de juros no seu mínimo histórico, isso deve ficar mais evidente." A tendência, de acordo com Oliveira, é que isso facilite na eleição do ano que vem a defesa da política econômica promovida pelo presidente Michel Temer. "O discurso de candidatos da oposição de que a economia está mal perderá apelo, diz. "Além de sentir que está melhor do que estava dois anos antes, o eleitor e consumidor também terá a percepção de que a situação pode continuar melhorando." O economista admite que a metodologia atual não captura nuances importantes: a diferença entre os pesos que a inflação e o desemprego têm na sensação de bem-estar; e a diferença entre os benefícios do trabalho formal e informal. Segundo Oliveira, apenas 36,7% dos trabalhadores atualmente têm carteira assinada. Mesmo assim, ele crê que o Índice da Miséria serve como um termômetro com bom grau de precisão. "O eleitor e consumidor deve pensar duas vezes antes de fazer uma aposta contra a política econômica atual ou candidatos que preguem mudanças contra ela", diz.