Reforço no combate a lagartas nas plantações

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

SÃO PAULO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concluiu na semana passada a avaliação do princípio ativo benzoato de emamectina - inseticida que atua no controle de larvas de lepidópteros (lagartas) - e do respectivo produto formulado Proclaim 50, da suíça Syngenta, para fins de registro junto ao Ministério da Agricultura. De acordo com nota da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), um parecer favorável do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já havia sido expedido em outubro. Falta ainda a manifestação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o terceiro órgão da tríade responsável pelo registro de químicos agrícolas no país. A expectativa da Abrapa é que a avaliação agronômica do ministério ocorra nos próximos dias. No Diário Oficial da União do dia 6 deste mês, a gerência-geral de toxicologia soltou resolução (nº 2.939) incluindo o benzoato como ingrediente ativo na relação de agrotóxicos, domissanitários e preservantes de madeira. A decisão ocorreu na mesma semana em que foi publicada a Portaria de número 2.293, ampliando o prazo do período de emergência fitossanitária para a lagarta helicorverpa em seis Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí, Maranhão e Bahia. Hoje, o produtor rural só pode utilizar o benzoato de emamectina durante a emergência fitossanitária para a helicoverpa. Segundo a Abrapa, a molécula se mostrou a mais eficaz no combate à praga e também para outras espécies do complexo de lagartas. Ainda de acordo com nota da associação dos cotonicultores, quando sair o registro definitivo do Proclaim 50, os produtores de algodão pedirão um prazo de 12 meses ao Governo Federal para esgotar o estoque do benzoato importado, que, segundo estima a Abrapa, ainda seria suficiente para uma safra. "Esse produto não pode ser descartado. Teve um custo e precisa ser utilizado, antes da aquisição do novo insumo", afirmou Arlindo de Azevedo Moura, presidente da entidade, em nota. O Proclaim 50 não traz mudanças substanciais em relação à molécula que se importava. É rotulado como "Classe 1", com limitação de uso. Segundo a bula, o produto é um inseticida seletivo, que interrompe os impulsos nervosos das lagartas de diversas lepidópteras. A Syngenta deu entrada no processo regulatório em agosto de 2013 junto ao Ibama, Anvisa e Ministério. Cada um desses órgãos realiza uma avaliação específica e independente dos demais. O Ibama é responsável por compor um dossiê ambiental, no qual é avaliado o potencial de periculosidade do produto (PPA). O Ministério da Agricultura checa a eficiência e o potencial de uso na agricultura por meio de um estudo agronômico, e a Anvisa elabora o dossiê toxicológico, mensurando os riscos da substância para a população, definindo os níveis de resíduos que podem conter nos alimentos e as condições de uso quanto à segurança de quem aplicará a substância na lavoura. A expedição do registro fica a cargo do Ministério. No ano passado, Silvia Fagnani, diretora do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), afirmou ao Valor que um dos motivos para o volume de inseticidas ilegais aplicados em lavouras no país ter aumentado era o registro de benzoato de emamectina em caráter emergencial. "Isso abre as portas para o contrabando desse inseticida", afirmou na ocasião.