Saiba quais são os melhores países da América Latina para trabalhar

Publicado em 14/11/2017 por O Globo

Montevidéu, Uruguai - Cristina Massari / o globo

RIO - No ranking dos países com o melhor mercado de trabalho, elaborado e recentemente divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Brasil está atrás de outras cinco nações. A lista, liderada pelo Uruguai, leva em conta a quantidade e a qualidade dos empregos para determinar qual é o melhor país para trabalhar. Depois do Uruguai, e antes do Brasil, 6° colocado, ainda vêm Chile, Panamá, Argentina e Costa Rica. O ranking tem 17 países. A Guatemala está em último lugar.

"A dimensão da quantidade captura quantas pessoas desejam trabalhar e quantos efetivamente trabalham. A qualidade mede quanto do emprego gerado no país é formal e quantos trabalhadores recebem salários que são suficientes para não viverem na pobreza", explicou o BID. O estudo ouviu pessoas entre 15 e 64 anos de todos os 17 países.

O Uruguai ficou em primeiro ligar com uma pontuação (71,91) muito superior à média para todos os países da América Latina, que alcançou apenas 57,17, numa escala de 0 a 100, onde quanto mais próximo de 100, melhor. O Brasil alcançou 61,15 pontos.

- O que distingue o Uruguai é que ele alcança notas de qualidade de emprego que são muito maiores do resto dos países da região - disse à rede inglesa de comunicação BBC Mundo a chefe da Divisão de Mercado de Trabalho do BID, Carmen Pagés.

Para a especialista, o diferencial do Uruguai é ter um nível de produtividade de trabalho relativamente alto e políticas efetivas que ajudam a formalizar a maioria da população, dando a ela acesso a benefícios de proteção social. Ela ressalta ainda, que esse diferencial nada tem a ver com o seu tamanho - tem apenas 3 milhões de habitantes, algo como a população de Salvador, capital baiana.

- Temos países pequenos na região que estão nas últimas posições do ranking. Na América Central há países do tamanho do Uruguai e isso não os ajuda a ter um mercado de trabalho melhor.

INFORMALIDADE E BAIXOS SALÁRIOS NA GUATEMALA

Segundo o ranking do BID, a Guatemala é o país com os piores empregos da América Latina. É o último da lista com apenas 44,9 pontos, abaixo da média de todos os países da região. Entre os quesitos analisados, o pior no país é a formalidade, que atingiu apenas 13,9 pontos. Também pesou no resultado geral do país o item "salário suficiente para não cair na pobreza", que atingiu apenas 30 pontos.

- A Guatemala é um pouco o contrário do Uruguai. Há muita gente trabalhando e trabalham muito, mas lamentavelmente o esforço desse trabalho não é garantidor da renda necessária para tirar as famílias da pobreza. A maior parte trabalha sem acesso a benefícios sociais, em postos informais - explica Carmen.

MELHOR PAÍS PARA OS JOVENS

De acordo com o BID, o Uruguai também é o melhor país para os jovens, enquanto Honduras tem as piores condições de trabalho para esse grupo. Para a chefe de Mercado de Trabalho da organização internacional, isso ocorre porque o que os jovens aprendem na escola deixa de servir muito rápido e há uma falha na capacitação desses jovens posteriormente.

- Ao final, mais habilidades significam mais produtividade e melhor trabalho - diz Carmen.

Os especialistas consultados pela BBC Mundo avaliam que a alta taxa de informalidade é o problema que mais afeta o mercado de trabalho da América Latina.

- As habilidades ajudam, mas é preciso aprimorar as leis trabalhistas para que os custos do trabalho estejam alinhados à produtividade - completou Carmen.

David Herranz, diretor-executivo para América Latina da companhia de Recursos Humanos Adecco, disse que, se tivesse de priorizar, "começaria atacando a informalidade no emprego que é muito alta na região, particularmente em países como Colômbia ou México, que supera 50%".

- Segundo, equipararia os níveis salariais onde há desigualdades importantes como entre o Cone Sul e o resto da região - completou.