Sucessão de presidência no Bradesco vira alvo de aposta

Publicado em 12/10/2017 por Folha de S. Paulo Online

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A decisão de Lázaro Brandão de renunciar ao comando do conselho de administração do Bradesco e passar o bastão para o atual presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, foi a deixa para que o mercado começasse a especular sobre quem será o próximo ocupante do cargo.

Por tradição, a escolha ocorre entre os integrantes da própria instituição, conhecida por ter em seus quadros funcionários de carreira. Gerentes têm a real perspectiva de um dia serem presidente -trajetória que foi traçada pelo próprio Lázaro Brandão, que começou como estagiário e se aposenta no conselho.

Nesta quarta (11), Trabuco tentou jogar luz sobre o tema, ao sinalizar que o escolhido virá da diretoria-executiva -mais especificamente, será um dos sete vice-presidentes.

Desses, dois são praticamente "recém-chegados" aos quadros executivos do banco: André Rodrigues Cano, nomeado em janeiro e responsável pela área de recursos humanos; e Octavio de Lazari Junior, que assumiu em maio a presidência da Bradesco Seguros.

Apesar do pouco tempo, porém, é justamente em Lazari que algumas apostas se concentram. "O presidente da área de seguros costuma ser o nome que desponta e é catapultado pelo banco.

Essa área é a menina dos olhos do banco", afirma João Augusto Salles, economista da consultoria Lopes Filho.

Segundo o balanço do segundo trimestre do banco, a área de seguros, previdência e capitalização representou 28,3% do lucro líquido ajustado -ou R$ 2,644 bilhões.

Lazari ocupa o cargo que já foi de Marco Antonio Rossi, que faleceu em novembro de 2015 em um acidente aéreo e era apontado como sucessor natural de Trabuco.

Para Augusto Salles, porém, todos os vices são igualmente fortes candidatos a presidente. "No caso do Bradesco é difícil de prever. Os diretores são treinados de forma equânime, não há uma pessoa que se destaque em relação a outra. É um traço cultural da instituição."

Outra características do processo seletivo interno do Bradesco é a imprevisibilidade. Muitas vezes, o nome mais cotado no mercado acaba justamente por ser preterido. Assim, os próximos meses serão de muita especulação, mas a tendência, diz executivo do setor próximo à instituição, é que o desfecho seja surpreendente.

ADIAMENTO

Trabuco vai acumular até março de 2018 os cargos de presidente do Bradesco e do conselho de administração.

"Acreditamos que até meados de novembro o banco divulgue o nome. Quanto antes melhor, até para as ações", afirma Augusto Salles.

Trabuco permaneceu oito anos na presidência e sua substituição vinha sendo protelada. Entre os fatores fatores que adiaram a substituição, destaca-se a compra do HSBC, em 2015.

O banco optou por manter Trabuco até concluir a integração das operações, como o próprio executivo indicou nesta quarta-feira.

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SUCESSÃO

Sete vice-presidentes do Bradesco são candidatos a substituir Luiz Carlos Trabuco no comando do banco

Octavio de Lazari Junior, 54, assumiu a presidência da Bradesco Seguros em maio deste ano; ele está no banco desde setembro de 1978

André Rodrigues Cano, 59, passou a trabalhar no banco em 1977; ele é responsável pelo departamento de recursos humanos

Alexandre da Silva Glüher, 57, começou a carreira no Bradesco em 1976; é o chefe da área de risco e ajudou a capitanear a compra do HSBC

Josué Augusto Pancini, 57, entrou no banco em 1976 e está encarregado da rede de atendimento e também do segmento Prime, de alta renda

Marcelo de Araújo Noronha, 52, foi eleito vice-presidente em 2015; ele comanda atualmente o banco de investimento Bradesco BBI

Maurício Machado de Minas, 58, entrou no Bradesco em julho de 2009 e está a cargo de departamento de tecnologia da informação

Domingos Figueiredo de Abreu, 58, está no banco desde 1981; ele é responsável pela Tesouraria e pela área de crédito do Bradesco