Varejo ampliado se descola de restrito e sobe, dizem analistas

Publicado em 11/10/2017 por Valor Online

As vendas do comércio podem ter chegado em agosto ao seu quinto mês de combinação entre crescimento e estabilidade, consolidando o começo de recuperação do varejo. A estimativa média aponta para alta de 0,1% das vendas do varejo restrito em relação a julho (já com ajuste sazonal), segundo 23 projeções de instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data. Para o varejo ampliado, que inclui automóveis e materiais de construção, a expectativa é de crescimento de 1,2%. O resultado da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De abril a maio, o varejo restrito registrou três altas e um mês de estabilidade. Passados os efeitos diretos da liberação dos recursos do FGTS, a expectativa disseminada entre economistas é que agora inflação e juros em queda, melhora do mercado de trabalho e baixa base de comparação mantenham no azul as vendas do comércio ao longo do ano. O UBS calcula alta de 0,3% para o varejo restrito e de 5,5% no acumulado de 12 meses, reafirmando "a visão de uma economia em recuperação, apesar de volatilidades mensais". Já "as melhores condições financeiras" devem fazer o varejo ampliado, nos cálculos do banco suíço, crescerem 1% em relação a julho e 9% sobre agosto de 2016. A equipe econômica do Santander espera em relação a julho altas de 0,5% para o varejo restrito e "forte expansão" de 1,2% para o ampliado. "Essas estimativas estão em linha com o nosso cenário de recuperação gradual da economia", diz relatório. Mesmo quem espera que os dados de agosto apresentem um recuo em relação a julho afirma que a recuperação do comércio se mantém. Uma queda não interrompe a retomada, diz Mauricio Nakahodo, economista do Mitsubishi UFJ Financial Group. O analista estima que o varejo restrito caiu 0,5% em agosto, principalmente por causa dos supermercados, com peso grande na cesta da PMC e comportamento "volátil". Já a previsão para o ampliado é de 0,5% de alta, devido às boas vendas de automóveis, afirma. O Haitong também calcula queda de 0,5% no varejo restrito, justamente por causa "de alguma desaceleração nas vendas do supermercado". No varejo ampliado a expectativa é de expansão, de 0,7%. Se essa previsão se confirmar, diz o banco, haverá um carregamento estatístico de 2,2% do varejo ampliado no terceiro trimestre deste ano. Esse resultado reforçaria "as perspectivas de crescimento econômico nos próximos meses", afirma a equipe do Haitong em relatório.