Varejo tem clara perda de ritmo de recuperação, avalia IBGE

Publicado em 13/09/2018 por Valor Online

Varejo tem clara perda de ritmo de recuperação, avalia IBGE

RIO  -  A queda de 1% no volume de vendas do varejo em julho, perante um ano antes, interrompe uma série de 15 meses consecutivos de taxas positivas no confronto anual, aponta a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do instituto, o varejo mostrou perda de ritmo de recuperação por essa e outras bases de comparação. A média móvel trimestral, por exemplo, intensificou o ritmo de queda de junho (-0,2%) para julho (-0,8%).

"Essa perda de ritmo é evidente quando se entende que os estoques foram normalizados [após a o fim da greve], mas a percepção de consumidores vem se deteriorando, com índices baixos de confiança. É uma percepção de recuperação lenta. Consumidores estão cautelosos nos seus gastos", disse.

No confronto interanual, também pesa uma base de comparação mais alta de julho de 2017. Naquele mês, o setor estava em recuperação embalado pela melhora do mercado de trabalho e a liberação de recursos do FGTS.

"Por essa base de comparação, o principal impacto para queda do varejo veio de combustíveis. Um ano atrás, havia deflação dos combustíveis; agora, alta de preços. Foi inclusive um dos pivôs da greve, uma das principais reivindicações", disse Isabella, sobre a demanda dos caminhoneiros pela queda dos preços do diesel.

Na passagem de junho para julho, o comércio varejista recuou 0,5%, registrando o terceiro mês consecutivo de baixa.