Vencedora na base, Inglaterra vive dilema com fuga de jovens

Publicado em 14/11/2017 por Folha de S. Paulo Online

Publicidade

Os ingleses nem apareceram nesta segunda (13) em Wembley. Eles optaram por fazer o último treino antes do amistoso contra o Brasil, nesta terça (14), às 18h (de Brasília), no St. Georges Park, o centro de treinamento da federação local, considerado o berço da nova geração vencedora da Inglaterra.

Distante cerca de 200 km da capital, o St. Georges é o mais ambicioso projeto do futebol local para chegar ao topo após mais de 50 anos sem vencer.

Inaugurado em 2012, o centro consumiu cerca de 100 milhões de libras (por volta de R$ 440 milhões) e tem como objetivo levar a Inglaterra ao título na Copa do Mundo do Qatar, em 2022.

O trabalho já começa a dar frutos. No mês passado, os ingleses venceram o Mundial sub-17. Já em junho, os adolescentes da Inglaterra conquistaram o torneio sub-20.

O CT é a casa de 38 seleções bancadas pela federação, que inclui até futsal, e um centro de excelência para formar treinadores. O complexo conta também com espaço para o estudo da psicologia, medicina, e ciência esportiva.

Para conseguir o sucesso, o St. Georges praticamente copiou academicamente a estrutura implantada pelos alemães há mais de dez anos, que acabou no título da Copa de 2014.

A série de títulos nas divisões de base também é resultado do alto investimento dos milionários clubes da primeira divisão inglesa nos jovens.

Quase todos os clubes tem uma estrutura moderna para identificar e preparar novos atletas

Com o sucesso do St. Georges e tanto dinheiro dos clubes, o futebol inglês vive um dilema. Os jogadores da base estão sem espaço para jogar nos grandes times. Alguns estão deixando o país para jogar no exterior.

Em setembro, o técnico do Manchester City, Pep Guardiola, não escondeu a sua irritação com os dirigentes do clube, que permitiram o jovem Jadon Sancho sair de lá. Sancho foi um dos destaques da Inglaterra no Mundial. Ele trocou o City pelo alemão Borussia Dortmund.

"Essa nova geração inglesa tem muita qualidade. Além do excelente trabalho na base, eles têm tradição e peso. Por tudo isso, vejo a Inglaterra com uma das forças [para a disputa do Mundial]", disse Tite, que fará a sua primeira partida em Wembley.