Vendas no varejo no país caem 0,3% em junho e têm resultado pior que o esperado

Publicado em 10/08/2018 por Folha de S. Paulo Online

São Paulo

As vendas no varejo brasileiro surpreenderam em junho ao encolherem pelo segundo mês seguido, ainda como reflexo da paralisação dos caminhoneiros que causou forte desabastecimento em todo o país e afetou a confiança dos agentes econômicos sobre o desempenho da economia como um todo neste ano.

As vendas caíram 0,3% em junho na comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (10), registrando o pior desempenho para junho desde 2015 (quando a queda foi de 1,1%).

Na comparação anual, o setor subiu 1,5% em junho, ambos resultados piores do que o esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,2% na comparação mensal e de avanço de 2,4% sobre um ano antes.

O cenário ficou ainda mais sombrio porque o IBGE revisou, e para muito pior, o desempenho das vendas varejistas em maio —que passaram de contração de 0,6% para queda de 1,2% sobre o mês anterior.

"A série ajustada não conhecia o evento paralisação dos caminhoneiros. É natural haver revisão mais acentuada", afirmou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

"A entrada de junho transforma o dado de maio após melhor interpretação de dados novos", acrescentou.

Maio foi marcado por desabastecimento em todo o país devido ao protesto dos caminhoneiros no final do mês, que abalou ainda mais a confiança tanto do empresariado quanto dos consumidores, que já estava estremecida pelas incertezas sobre a eleição presidencial.

Segundo o IBGE, apesar da variação negativa, houve crescimento em cinco das oito atividades pesquisadas. A pressão negativa se deu nos segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,5%), interrompendo dois meses de taxas positivas, e no de combustíveis e lubrificantes (-1,9%).

As vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, subiram 2,5% em junho sobre maio. As vendas de veículos e motos, partes e peças saltaram 16%, enquanto as de material de construção subiram 11,6%.

Os sinais para o setor de varejo no país continuavam fracos. Em julho, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a confiança do comércio recuou pela quarta vez consecutiva, sugerindo que o setor continuava perdendo o fôlego, pesando sobre esse cenário a vagarosa retomada do mercado de trabalho.

Pesquisa Focus do Banco Central, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, mostra que a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país estava em 1,5%, a metade do que era projetado alguns meses antes.