A vida da menina haitiana Wilnise um ano depois da chegada a Florianópolis

Publicado em 11/10/2017 por Diário Catarinense

Um ano após o emocionante reencontro de Wilclese Saint Fleur com a filha Wilnise Joseph, a haitiana já pode dizer que a pequena é praticamente uma brasileira nata. Matriculada em uma creche de Florianópolis, a menina de cinco anos já é fluente em português, tem uma porção de amigas e é louca por uma prato de arroz, feijão e carne, com direito a suco de limão.

Wilclese veio para o Brasil em 2014, em busca de uma vida melhor, mas precisou deixar para trás pais, irmãos, marido e a filha. O único contato que tinham era via Whatsapp. Depois de receber a ajuda dos colegas de trabalho - uma verdadeira corrente do bem -, Wilclese conseguiu, no ano passado, comprar uma passagem para trazer a filha para perto.

- Esse ano foi bem diferente dos outros. Com ela aqui do lado, é bem melhor - comenta a tímida mulher haitiana, ainda com um pouco de dificuldade para se comunicar em português.

Já a pequena Wilnise manda bem na língua portuguesa. Sempre sorridente, a garota conta que adora ir para a creche, especialmente porque lá ela costuma brincar de boneca com a amiga Isabel.

- A gente gosta muito de brincar de boneca, damos sopa e outras comidas para ela - conta Wilnise.

- Gosto muito de morar aqui, mais do que no Haiti, porque minha mãe está aqui - completa.

O pai da garota também veio para o Brasil no ano passado, mas Wilclese conta que os dois já não estão mais juntos. Ainda assim, Jimily Joseph costuma visitar a filha todos os meses. Wilclese ainda sobre com a saudade da família que ficou no Haiti.

- Queria muito rever a minha mãe, dar um abraço apertado.

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Sonho distante

 FLORIANÓPOLIS,SC, BRASIL - 10/10/2017Wilclese Saint Fleur, 30, e sua filha, Wilnise Joseph, 5, completam um ano de reencontro no Brasil
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

A história de Wilclese é parecida com a de milhares de haitianos e outros imigrantes que vêm para o Brasil em busca de uma vida mais digna, deixando para trás família e amigos, com a esperança de um dia poder trazê-los. Ao chegar aqui, vêem que a situação não é bem como esperavam: quando conseguem emprego, ganham somente o suficiente para se manter, sem conseguir enviar dinheiro para o seu país, muito menos economizar para pagar a passagem e despesas com visto para trazer o restante da família.

- O dia a dia é muito difícil. Meu pai vendeu a casa para eu poder vir para cá ganhar a vida e trabalhar, mandar metade do salário para lá. Mas agora não dá, porque estou sozinha pagando a casa, comida, tudo.

Até poucos dias atrás, as duas moravam em uma quitinete no Morro do 25, na Agronômica. Por problemas no sinal de telefone, Wilclese saiu em busca de outro local e conseguiu encontrar na mesma uma pequena casinha, com um quarto, banheiro e cozinha. Apesar do aumento de R$ 50 na conta mensal (o aluguel passou de R$ 450 para R$ 500), a casa nova tem um fogão e uma geladeira em bom estado, muito diferente do local anterior.

- Agora está tudo certo. A casa é boa, ela está na creche e aprendendo rápido o português. Estamos bem aqui e, se Deus quiser, vamos continuar a viver em Florianópolis.

Veja o vídeo do reencontro de mãe e filha: