Beija-Flor choca e Salgueiro emociona em 2ª noite de desfiles no Rio

Publicado em 13/02/2018 por Folha de S. Paulo Online

A Beija-Flor veio para chocar e provocou a resposta que queria da avenida ao encerrar o segundo dia de desfiles do Grupo Especial das escolas de samba do Rio, na madrugada desta terça-feira (13).

A agremiação de Nilópolis saiu ovacionada pelo público, que seguiu cantando o samba após o fim do desfile e arrancou aplausos até de um grupo de jurados, com um enredo que teceu críticas à corrupção no Brasil.

No entanto, deixou para trás a tradição de fantasias luxuosas e bem acabadas, dando lugar a trapos, farrapos e crianças dentro de caixões em alegorias de estética duvidosa.

Seguindo a tradição de executar bem enredos com temática africana, Salgueiro também se destacou e agradou a plateia ao contar a trajetória de líderes negras. 

Veja aqui a cobertura em tempo real do 2º dia de desfiles

A Beija-Flor fez uma série de críticas políticas, num paralelo entre o romance de terror Frankenstein (1818), da Mary Shelley, que completa 200 anos em 2018, com o momento vivido pelo Brasil.

Os temas escolhidos pela Beija-Flor foram desde corrupção, com um carro que representava o Congresso Nacional e repressão nas favelas, a liberdade sexual com a cantora Pabllo Vittar como destaque.

A União da Ilha diferenciou sua bateria "40 Graus" das demais com levada funk que levantou a arquibancada da Sapucaí.

Esse destaque pode ter sido o diferencial para garantir uma vaga da escola no desfile das campeãs no próximo sábado (17).

Atual campeã do Carnaval, a Portela deixou a desejar. A paixão dos componentes e integrantes pela azul e branca de Madureira não contagiou as arquibancadas. A escola fez um desfile de fácil assimilação e bonito, mas o samba não pegou.

Já a Unidos da Tijuca fez sucesso com um "samba-chiclete" e um enredo de apelo popular e cheio de atores globais, sobre o artista multiplataforma Miguel Falabella.

Se a política sobrou na avenida, faltou nos camarotes.

Em ano eleitoral, o prefeito da cidade de São Paulo, João Dória (PSDB), marcou presença na Sapucaí, minutos antes da escola Unidos da Tijuca entrar.

Na ausência do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal, e do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), Dória foi o único político relevante presente na avenida nesta segunda noite de desfiles.

Entretanto, os políticos cariocas foram lembrados no desfile da Beija-Flor. A escola levou para a avenida a "Farra dos Guardanapos", episódio que ficou conhecido o jantar luxuoso que aconteceu em Paris, no qual políticos e empresários do Rio, bêbados, foram fotografados com guardanapos na cabeça.

Dos presentes na hoje celebre foto, nove já foram presos e outros estão sob investigação.

POSTO DE SAÚDE

Até as duas horas desta terça-feira (13), 392 pessoas haviam buscado atendimento nos postos médicos do sambódromo. A maior parte delas com mal-estar provocado pelo calor.

A noite do segundo desfile foi mais fresca em comparação à primeira, que teve mais de 500 pessoas atendidas.