Carolina Bahia: a bola está com o Senado

Publicado em 12/10/2017 por Diário Catarinense

Com um placar apertado, o Supremo Tribunal Federal admitiu medida cautelar contra os parlamentares, mas submetendo decisão ao Congresso se comprometer o mandato. Foi um meio termo desenhado pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, o voto de Minerva. Desde o começo ela queria evitar uma crise institucional entre os poderes. A bola agora está nas mãos do Senado. O julgamento desta quarta só mereceu tanta atenção porque o Senado não aceitou a decisão de afastamento e recolhimento noturno de Aécio Neves (PSDB-MG). Em seu voto, o ministro Celso de Mello criticou as ameaças do Senado de não cumprir uma decisão da Justiça. Como recado, ficou uma sugestiva frase do ministro Luís Roberto Barroso, que colocou o dedo na ferida ao alertar:

- Prender miúdos e proteger graúdos é a tradição brasileira que nós estamos tentando superar.

Esse foi apenas o primeiro grande embate entre Congresso e STF em razão da Lava-Jato. Outros, certamente, ainda ocorrerão. A turma do foro privilegiado ainda não desistiu de estancar a sangria. Alguns dos senadores que votaram a favor da prisão do então petista Delcídio do Amaral já confessam arrependimento. 

Azedou
Clima de tensão no Supremo Tribunal Federal.
- Eu tenho no plenário um revisor - reclamou o ministro Marco Aurélio Mello, diante das cobranças do colega Luís Roberto Barroso.

Apressado
A defesa do senador Aécio Neves nem esperou o término do julgamento do STF para divulgar nota reclamando do voto do ministro Luís Roberto Barroso. O advogado Alberto Toron afirmou que "mais uma vez, o ministro Roberto Barroso prejulgou caso envolvendo Aécio Neves".

Esgotou
Em pronunciamento no plenário do Senado, Dário Berger (PMDB-SC) afirmou que o presidencialismo se esgotou e defendeu o semipresidencialismo:
- No meu modo de entender, no tocante ao sistema de governo, esta é uma mudança que precisamos fazer para fortalecer os poderes e as instituições. Mudar para readquirir a confiança e a plena participação da sociedade - afirmou.

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