Começa nos EUA primeiro julgamento sobre investigação de corrupção na Fifa; advogado nega participação de Marin

Publicado em 14/11/2017 por DCI

13/11/2017 - 18h57

Começa nos EUA primeiro julgamento sobre investigação de corrupção na Fifa; advogado nega participação de Marin

Ex-presidente da CBF José Maria Marin chega a tribunal em Nova York
Ex-presidente da CBF José Maria Marin chega a tribunal em Nova York
Foto: Reuters

Por Brendan Pierson

NOVA YORK - Advogados defendendo três ex-dirigentes do futebol em julgamento por acusações de corrupção nos Estados Unidos buscaram distanciar seus clientes de um escândalo que atingiu o esporte conforme deram testemunhos de abertura a membros do júri nesta segunda-feira.

José Maria Marin, ex-presidente da CBF, Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol e da Associação Paraguaia de Futebol, e Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, estão em julgamento em tribunal federal norte-americano no Brooklyn.

Os três são os primeiros a serem julgados desde que procuradores dos EUA revelaram um caso de corrupção contra dirigentes do futebol ao redor do mundo há mais de dois anos. Das 42 pessoas acusadas por procuradores norte-americanos na investigação sobre a Fifa, 24 se declararam culpadas e duas foram sentenciadas até o momento.

O procurador-assistente dos EUA Keith Edelman disse a membros do júri que os três homens foram parte de uma conspiração para aceitar propinas de empresas de marketing esportivo em troca de lucrativos direitos de marketing para torneios de futebol, incluindo a Copa América e Copa Libertadores.

"Os acusados trapacearam o esporte para encher seus bolsos com dinheiro que deveria ter sido gasto para beneficiar o jogo, não a si mesmos", disse Edelman. O dinheiro desviado poderia ter sido gasto por organizações de futebol para construir campos, comprar equipamentos e financiar equipes femininas e ligas jovens, disse.

Nenhum dos advogados dos ex-dirigentes negou haver corrupção no esporte internacional, mas todos disseram a membros do júri que seus clientes não participaram.

"Este caso não é sobre a Fifa", disse a advogada de Napout, Silvia Piñera. "Isto é sobre um homem, Juan Ángel Napout, e sua luta por justiça".

Piñera disse a membros do júri que o caso contra Napout irá se apoiar em testemunho de Alejandro Burzaco, ex-chefe da companhia de marketing esportivo Torneos y Competencias. Burzaco, segundo Piñera, "fez um doce acordo com o governo e começou a contar histórias" após ser condenado.

O advogado de Burga, Bruce Udolf, também disse esperar que procuradores se apoiem em testemunhas participativas que podem ser motivadas a "se tornar surpreendentemente muito criativas" para evitar prisão.

O advogado de Marin, Charles Stillman, ligou a corrupção no futebol internacional a um jogo de futebol infantil no qual Marin não participou.

"Ele era como o jovem do lado de fora do campo, colhendo margaridas e olhando ao redor enquanto outros estavam correndo a pleno vapor", disse Stillman.

Reuters

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