Dilma defende acordos pontuais com pemedebistas

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que é preciso perdoar quem bateu panelas contra seu governo e disse que o PT não pode ter espírito vingativo nas eleições de 2018. Em entrevista à "Deutsche Welle", em Berlim, Dilma defendeu acordos com o PMDB nos Estados com políticos como o senador Renan Calheiros (AL), mas ponderou que no plano nacional não há como se aliar ao partido que articulou seu impeachment. "Dificilmente faremos aliança com o PMDB em nível nacional. Mas vai falar que não pode fazer aliança com [senador Roberto] Requião? Requião é do PMDB, e uma pessoa que combateu o golpe. Não vai fazer uma aliança com a Kátia Abreu? Ela foi outra que combateu o golpe", disse Dilma. A ex-presidente afirmou que Renan, então presidente do Senado, não trabalhou pelo impeachment e que é preciso perdoar quem pediu seu afastamento. "Não acho que perdoar golpista é perdoar o PMDB e o PSDB. Perdoar golpista é perdoar aquela pessoa que bateu panela achando que estava salvando o Brasil, e que depois se deu conta de que não estava", afirmou. "Uma hora vamos ter que nos reencontrar. Uma parte do Brasil se equivocou. Não significa perdão àqueles que planejaram e executaram o golpe. Tem uma porção de pessoas que foram às ruas e que estavam completamente equivocadas". A petista disse que o PSDB "acabou, sumiu" depois de seu impeachment e abriu espaço para a direita emplacar nomes que representam a "política de animação de auditório" e o "gestor incompetente", em referência indireta ao apresentador Luciano Huck (sem filiação partidária) e ao prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). "O que os conservadores conseguiram produzir? Produziram a extrema direita, o MBL [Movimento Brasil Livre] e o [Jair] Bolsonaro. E o que ainda é novo no Brasil? O gestor incompetente, tipo o Trump? O João Doria? Ou você deseja a política de animação de auditório como política social, que é o Luciano Huck? Isso é o novo?", questionou. Ao falar sobre o que acha que é o novo, declarou: "Sabe o que é coisa de preto? O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto." Dilma não descartou disputar um novo mandato político, mas disse que "ainda não pensei de maneira séria" sobre isso.