Dólar sobe e Bolsa cai com dúvidas sobre votação da Previdência

Publicado em 07/12/2017 por O Globo

SÃO PAULO - O dólar comercial tem forte alta na abertura dos negócios desta quinta-feira, enquanto a Bolsa de Valores recua com os investidores acompanhando as movimentações em torno da Reforma da Previdência. O governo decide hoje se leva ou não a nova versão da reforma para votação no plenário da Câmara dos Deputados na próxima semana. Diante dessa expectativa, o dólar sobe 1,54% e é vendido a R$ 3,281, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3 abriu em queda e recua 1,54% aos 73.267 pontos.

"A quinta-feira tem início negativo para os ativos brasileiros. A decisão de ontem do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,50%, para 7% ao ano, como era esperado pelo mercado. A sinalização do BC para a próxima reunião, em fevereiro de 2018, trouxe mais cautela com os riscos ao seu cenário base da economia. A interpretação que parece clara no momento é de que cortes adicionais estão condicionados ao andamento da agenda de reformas, em particular a da Previdência. Devido a atual dificuldade de aprovação desta pauta no congresso, a reação do mercado é de que o ciclo de queda de juros deve ter chegado ao fim" - diz o economista do Grupo GGR, Rafael Sabadell.

Para os analistas da Guide Investimentos, "ainda não está claro se a votação da previdência acontecerá neste ano", e a reação do mercado é negativa nesta quinta-feira.

Mesmo com a decisão polêmica dos Estados Unidos de reconhecer a cidade de Jerusalém como capital de Israel, as bolsas na Europa têm um dia de tranquilidade. Dados mais positivos da zona do euro animam os investidores. A economia da zona do euro cresceu 0,6% no terceiro trimestre na comparação com o segundo e 2,6% em relação ao terceiro trimestre de 2016. Os dados são da leitura final da agência Eurostat e revisam para cima a versão anterior, que mostrava alta de 2,5% na comparação anual.

A Bolsa de Frankfurt sobe 0,21%; Londres tem alta de 0,16% e Paris avança 0,04%.

Para o economista da Capital Economics, Jack Allen, após quase cinco anos de crescimento acima da tendência, a ociosidade na economia da zona do euro, deve ser totalmente absorvida em 2018.