Gesto de ministro tucano foi isolado

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

O pedido de demissão do ministro das Cidades Bruno Araújo (PSDB) foi pessoal e não significará a saída imediata dos outros três ministros do PSDB. Deputado licenciado, Araújo decidiu se antecipar a movimentos da sigla pelo desembarque do governo Michel Temer e optou por deixar o posto pela "porta da frente", sem ser enquadrado pelo partido ou ser acusado de apego ao cargo. A convenção nacional para eleger a nova direção da sigla será em 9 de dezembro e é consenso entre os candidatos que o PSDB deixará o governo. O debate interno é se isso ocorrerá já em dezembro ou apenas em março, como defende o grupo do senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado da legenda. Araújo enfrentava ainda a pressão dos demais partidos da base aliada pelo seu cargo, um dos mais poderosos da Esplanada dos Ministérios pelo controle de verbas e repasses para os municípios, um importante ativo eleitoral. PP, PTB e o próprio PMDB trabalharam esta semana para convocar o ministro a dar explicações na Câmara. Ao pedir demissão, o tucano também se antecipou a decisão de Temer de promover trocas para recompor sua base aliada. O pemedebista sinalizou nos últimos dias que não aguardaria a convenção do PSDB para fazer as mudanças. Por enquanto, contudo, os ministros das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (que é senador licenciado por São Paulo), e de Governo, Antônio Imbassahy (deputado pela Bahia), continuarão em suas Pastas. Presidente do PSDB na Bahia, o deputado João Gualberto disse que Nunes e Imbassahy "devem ficar por sua conta em risco" e afirmou que o ministro de Governo "talvez mude até de partido para ficar" no cargo. Outros tucanos, porém, esperam que a decisão estimule as outras saídas. No PSDB, mais da metade dos deputados federais defende o desembarque do partido e a entrega dos cargos no governo. Os outros dois parlamentares de Pernambuco estão na linha de frente dessa pressão e Araújo, que é pré-candidato ao Senado, era constrangido em eventos locais da militância tucana por causa da permanência no ministério. Tesoureiro do PSDB, o deputado Rodrigo Castro (MG) afirmou que a saída é natural já que o partido construía uma data para deixar o governo. "Ele já tinha essa convicção de que não esperaria uma posição oficial do partido", disse. Araújo deve ser o coordenador da campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo, para a presidência do PSDB. Tucanos lembraram que o ex-ministros já foi líder da bancada, que apoiou por unanimidade sua indicação. "É uma atitude que está respaldada pelo que é hoje o sentimento majoritário no partido. No Rio, 97% dos delegados votaram no sábado por sair do governo", diz o presidente reeleito da sigla no Estado, deputado federal Otávio Leite.