Com mais da metade da frota parada, PM promete soluções para o problema

Publicado em 14/11/2017 por O Globo

Abandonadas. Viaturas sem peças no Batalhão de Policiamento em Vias Expressas da PM - Fabiano Rocha / Agência O Globo

RIO - Um carro do 3º BPM (Méier) por pouco não atrapalhou a reconstituição da morte do coronel Luiz Gustavo Teixeira, que era comandante do batalhão quando foi baleado, no último dia 26, durante uma tentativa de assalto no Lins. Usado para bloquear o trânsito na área onde peritos trabalhavam, o veículo teve de ser estacionado de maneira insólita: paralelepípedos escoravam dois de seus pneus, porque o freio de mão estava quebrado.

A cena retrata o estado da frota policial do Rio: nesta segunda-feira, o colunista do GLOBO Ancelmo Gois revelou que 52% das viaturas da PM do Rio se encontram paradas por falta de manutenção. Em nota, a corporação reconheceu o problema e destacou que tomou duas medidas para solucioná-lo.

De acordo com o comunicado, no próximo dia 24 terminará a fase de credenciamento das empresas que a Polícia Militar contratará para recuperar e manter 5.300 viaturas. Serão investidos R$ 93 milhões, previstos no orçamento da corporação, para a execução dos serviços ao longo de um ano.

Além disso, há um processo de licitação em curso para aquisição de 750 novos carros, a um custo de aproximadamente R$ 60 milhões. A compra depende de uma análise do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Emergencialmente, a PM tem feito "parcerias com prefeituras, entidades civis e empresariais para recuperação de veículos".

Nem a Polícia Militar nem a Secretaria de Segurança prestaram esclarecimentos sobre o destino de uma verba de R$ 30 milhões que a União cedeu ao estado para a manutenção da frota das forças de segurança. O repasse foi lembrado pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, no fim do mês passado, na mesma ocasião em que ele disse que comandantes de batalhões da PM são sócios do crime organizado e que o assassinato do coronel Teixeira foi "um acerto de contas".

A PM alegou, em nota, que "sobre o repasse de verba feito pelo governo federal para o estado, a aplicação desses recursos está a cargo da Secretaria de Segurança". Já o órgão argumentou que a resposta a esse questionamento do GLOBO deve ser dada pela Polícia Militar. Enquanto os novos carros não chegam, o policiamento é feito com muito esforço. No 3º BPM, por exemplo, pelo menos 20 de seus 52 carros estão parados por problemas de manutenção.

Ou seja: somente 30 viaturas são usadas nas rondas pelos 22 bairros da Zona Norte cuja segurança depende do batalhão, incluindo, além do Méier, o Jacaré, o Engenho Novo e o Lins. Com o objetivo de atenuar o problema, parte dos policiais que não trabalham nas ruas, que são lotados em serviços administrativos, foi mobilizada para tentar consertar veículos.

No pátio do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), localizado no entroncamento da Rodovia Washington Luís com a Linha Vermelha, é possível ver pelo menos dez veículos sem condições de uso. A situação se repete no estacionamento da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), que fica perto do Complexo do Alemão, na Penha: ali, vários carros da PM já começam a virar sucata.