Ministro israelense diz que ataques aéreos foram mensagem ao Irã

Publicado em 11/02/2018 por Folha de S. Paulo Online

O ministro israelense de Inteligência, Israel Katz, afirmou neste domingo (11) que, atacando os principais locais iranianos na Síria, Israel enviou uma mensagem clara ao Irã de que não tolerará uma força militar à sua porta.

"Eles e nós sabemos o que atingimos, e levará algum tempo para eles digerirem e entenderem como Israel sabia como atingir esses lugares", disse Katz à Rádio do Exército de Israel. "Estes foram locais ocultos e temos agências de inteligência e a capacidade de saber tudo o que está acontecendo lá e neste sábado (10) provamos isso".

A onda de ataques ocorreu depois que Israel interceptou um drone iraniano que se infiltrou em seu espaço aéreo e um F-16 israelense foi derrubado após o retorno da Síria neste sábado. Foi o envolvimento mais sério de Israel na Síria desde que as lutas começaram em 2011 -e o ataque aéreo mais devastador do país em décadas.

Os militares afirmaram que destruíram o local de lançamento do drone, junto a quatro posições iranianas e oito locais sírios, incluindo o comando principal e o bunker de controle dos militares iranianos.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora a guerra na Síria através de uma rede de ativistas no terreno, disse no domingo que pelo menos seis tropas sírias e milicianos aliados foram mortos nos ataques aéreos.

O ministro de Inteligência de Israel Yisrael Katz durante entrevista em seu gabinete, em Tel Aviv - Dan Balilty - 9.nov.2017/Associated Press

Nos ataques jatos israelenses foram submetidos a um forte ataque antiaéreo sírio e os pilotos de um dos F-16 tiveram que ejetar após o avião ser atingido e cair no norte de Israel. Um piloto ficou gravemente ferido.

As Forças Armadas não confirmaram se o caça foi realmente abatido pelo fogo inimigo, o que marcaria a primeira ocorrência desse tipo para Israel desde 1982 durante a primeira guerra do Líbano.

Autoridades israelenses têm feito várias advertências sobre o aumento do envolvimento iraniano ao longo de suas fronteiras com a Síria e o Líbano.

Israel teme que o Irã possa usar o território sírio para realizar ataques ou criar um corredor terrestre do direto para o Líbano, o que permitiria a transferência de armas mais facilmente para o Hezbollah.

Local onde caiu o caça F-16 israelense, em Harduf, ao norte de Israel - Jack Guez/AFP

Embora Israel tenha permanecido em grande parte fora do conflito sírio, atingiu os comboios de armas destinados ao grupo xiita libanês dezenas de vezes desde 2012.

As Forças Armadas israelenses derrubaram vários drones que anteriormente tentaram invadir em seu território, mas a captura de um drone iraniano e a localização da origem do lançamento marcou uma escalada dramática na retaliação israelense.

O ex-ministro da Defesa, Moshe Yaalon, disse à Rádio do Exército que o Irã foi pego de surpresa pelas ações de Israel.

"Os iranianos pensaram que o drone que estavam voando em nossa direção tinha uma assinatura baixa, o que significa que o radar não detectaria isso", disse Yaalon. "Eles ficaram realmente surpresos".

Israel já havia alertado sobre o envolvimento do Irã e do Hezbollah na guerra da Síria. Ambos enviaram tropas e equipamentos em apoio ao regime do ditador Bashar al-Assad. Autoridades israelenses avisaram que não aceitarão uma presença militar do Irã e seus aliados xiitas na Síria, especialmente perto de se sua fronteira.

O presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante evento em Moscou, Rússia - Maxim Shemetov - 29.jan.2018/Reuters

RÚSSIA

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conversou várias vezes com o presidente russo Vladimir Putin, que apoia o regime de Assad e mantém uma grande presença militar na Síria. Após os ataques israelenses, eles falaram novamente neste sábado, com Netanyahu transmitindo a determinação de Israel de combater as intenções do Irã.

Ainda assim, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia criticou as ações de Israel e pediu restrições e respeito a soberania da Síria.

"É absolutamente inaceitável criar ameaças à vida e à segurança dos militares russos que estão na Síria a convite de um governo legítimo", afirmou.

Os Estados Unidos, por outro lado, apoiaram fortemente Israel.

"A escalada calculada de ameaça do Irã e sua ambição de projetar seu poder e domínio colocam todas as pessoas da região, do Iêmen ao Líbano, em risco", disse Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado. "Os EUA continuam a reafirmar a totalidade das atividades malignas do Irã na região e apela ao fim do comportamento iraniano que ameaça paz e estabilidade".