PF cumpre condução coercitiva de Jorge Picciani, e procuradores pedem prisão

Publicado em 14/11/2017 por O Globo

Jorge Picciani na Alerj - Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO - A Polícia Federal cumpre, na manhã desta terça-feira, um mandado de condução coercitiva contra o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB). Mas os procuradores regionais da República responsáveis pela operação "Cadeia Velha" pedem ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), fórum competente para o caso, que considere flagrantes os crimes atribuídos a ele e aos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi. Se o pedido for acolhido pela Justiça, Picciane poderá ser preso.

Picciani, Melo e Albertassi só não foram presos nesta terça porque a Constituição estadual, no Artigo 120, estabelece como única possibilidade de prisão provisória o flagrante de crime inafiançável, à exceção de casos com licença prévia da Alerj. Mas as três prisões não estão descartadas. A Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR-2) pediu as prisões preventivas e em flagrante dos parlamentares ao TRF-2, solicitando ainda o afastamento imediato de suas funções políticas na Assembleia.

Os procuradores sustentam que o flagrante existe porque o trio de parlamentares comete até hoje crime continuado de lavagem de dinheiro, já que o esquema não cessou, de acordo com a investigação. Este pedido será submetido pelo relator do caso, desembargador Abel Gomes, ao colegiado da Seção Criminal do TRF-2, formada pelos seis desembargadores das turmas de Direito Penal, em sessão especial ainda nesta segunda-feira.

CAIXINHA DE PROPINA

Deputados estaduais, empresários e intermediários são acusados de manter uma caixinha de propina destinada à compra de decisões na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para o setor de transportes. O esquema, concluíram os investigadores, teria começado nos anos 1990, por Cabral, e hoje seria comandado pelo presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, por seu antecessor, deputado Paulo Melo, e pelo líder do governo Edson Albertassi, caciques do PMDB fluminense.

A PF cumpre mandados de condução coercitiva contra os três deputados e contra Alice Brizola Albertassi. Há ainda mandados de prisão temporária de Felipe Picciani, filho do presidente da Alerj e gerente da Agrobilara, empresa que gere os negócios da família. Serão presos temporariamente Ana Claudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fabio Cardoso do Nascimento.

Os agentes também vão prender, em caráter preventivo, Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira, o Carlinhos da Art Sul, o ex-presidente da Fetranspor Lélis Teixeira e os empresários de transportes Jacob Barata Filho e José Carlos Lavouras. Barata Filho e Lélis Teixeira já haviam sido presos na Operação Ponto Final, da qual decorre a Cadeia Velha.

Nesta terça-feira, a Polícia Federal e a Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR-2) lançaram a mais importante ofensiva contra a corrupção no Rio desde a prisão do ex-governador Sérgio Cabral, em novembro do ano passado.