PF diz que ex-governador do MS preso lavava dinheiro com livros do filho

Publicado em 14/11/2017 por O Globo

SÃO PAULO - O ex-governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), utilizou a venda de livros de Direito Constitucional de seu filho, o advogado André Puccinelli Júnior, para lavar dinheiro de um esquema de corrupção que movimentou cerca de R$ 235 milhões, segundo a Polícia Federal. Os dois foram alvos de mandados de prisão preventiva, sem prazo para soltura, na manhã desta terça-feira, como parte da Operação Papiros de Lama.

- Entende-se que o ex-governador comandava, tinha operadores e era beneficiário do esquema de lavagem que perdura até hoje - declarou o delegado da PF e diretor regional de combate ao crime organizado Cleo Mazziotti.

A Operação Papiros de Lama, 5ª fase da Lama Asfáltica deflagrada esta manhã, foi realizada pela Polícia Federal utilizando como base a delação do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, que foi operador de André Puccinelli entre 2006 a 2013 e é apontado como operador de Joesley Batista no Mato Grosso do Sul.

Alvo de fases anteriores da operação, Ivanildo foi o único a procurar as autoridades para negociar um acordo de delação, segundo Mazziotti.

O esquema revelado pelo delator, ainda segundo a PF, envolvia o uso dos direitos autorais da venda de livros de Direito escritos por André Puccinelli Júnior e o repasse de valores pelo Instituto Ícone, voltado para o ensino jurídico e do qual Puccinelli Júnior é sócio.

Segundo o delegado, Ivanildo recebia 30% dos valores repassados em propina no desvio de obras públicas do estado.

- O senhor Ivanildo pegava esse dinheiro, muitas vezes em espécie, e recebia uma quantia por ser operador do esquema. Foram repassados R$ 20 milhões na época da campanha no último periodo de governo. Só pela JBS foi repassado R$ 1,2 milhão ao Instituto Ícone - afirmou Mazziotti.

Mais cedo, a PF divulgou em nota que a operação apura desvios de recursos públicos por meio do direcionamento de licitações, superfaturamento de obras, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos.

Foram executados dois mandados de prisão preventiva, contra Puccinelli e seu filho, dois de prisão temporária e outros seis de condução coercitiva, 24 de busca e apreensão em Campo Grande (MS), Nioaque (MS), Aquidauana (MS) e São Paulo (SP). A Justiça também determinou sequestros de bens e valores de até R$ 160 milhões dos alvos da operação.