PF realiza operação contra Picciani e filho de Jacob Barata

Publicado em 14/11/2017 por Band

Picciani chega na superintendência da Polícia Federal. / (Foto: Thaiana de Oliveira) Picciani chega na superintendência da Polícia Federal. (Foto: Thaiana de Oliveira)

Os procuradores regionais da República vão pedir ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região que considere como flagrantes os crimes atribuídos aos deputados Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, da alta cúpula do PMDB na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Desta forma, será possível pedir a prisão dos parlamentares, que são acusados de corrupção e outros crimes envolvendo a Alerj.

Inicialmente, os três vão ser conduzidos coercitivamente para prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal. Além dos deputados, outras 10 pessoas estão sendo investigadas, entre elas, o filho de Picciani, o empresário Felipe Picciani, que tem um pedido de temporária.

Ao todo são seis prisões preventivas e quatro temporárias, além de buscas e apreensões nos endereços de 14 pessoas físicas e 7 pessoas jurídicas. A Operação Cadeia Velha investiga o uso da presidência e outros postos da Alerj para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

CONDUÇÕES COERCITIVAS E OS ALVOS DA OPERAÇÃO

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani, e o deputado estadual Edson Albertassi, líder do governo na Casa, já estão na superintendência da Polícia Federal, no Centro do Rio, para prestar depoimento. Eles e o também deputado estadual Paulo Melo, todos do PMDB do Rio, alem da esposa de Albertassi, Alice Brizzola Albertassi, são alvo de condução coercitiva em mais um desdobramento da Lava Jato no Rio, que investiga o uso de cargos públicos na Assembleia para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, no setor dos transportes públicos.

O Ministério Público Federal pediu também a prisão preventiva dos empresários Lelis Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado, Jacob Barata Filho, conhecido como o "Rei do Ônibus" e José Carlos Lavouras, presos em julho na Operação Ponto final, mas soltos após decisão do ministro do Supremo Gilmar Mendes, em agosto. Jorge Luiz Ribeiro, braço direito de Picciani, Carlos César da Costa Pereira, empresário ligado ao presidente da Alerj, e Andreia Cardoso do Nascimento, chefe de gabinete de Paulo Melo, também tiveram prisão preventiva decretada pelo desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Outros quatro investigados são presos temporariamente. Felipe Picciani, filho de Jorge Picciani, Ana Cláudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fábio Cardoso do Nascimento, assessor de Paulo Melo.

155 agentes da Polícia Federal participam da ação batizada de Cadeia Velha que visa ainda o cumprimento de 35 mandados de busca e apreensão.

CORRUPÇÃO NA FEDERAÇÃO DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS DO RIO

O ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado, Lelis Teixeira, deve chegar a qualquer momento na superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio. Os agentes saíram do prédio de número 3371 da Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, Zona Sul do Rio, por volta das 8h10.

Contra Lelis Teixeira foi cumprido mandado de prisão preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. As investigações apontam que ele participava de um esquema de corrupção no transporte público do Rio.  A suspeita é de que parte do dinheiro arrecadado com as passagens de ônibus era usado para o pagamento de propina pagas ao ex governador Sérgio Cabral e ao grupo comandado por ele e também a deputados estaduais.

Lelis Teixeira foi preso em julho, na operação Ponto Final. Mas, em agosto, foi solto após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Com isso, ele passou a cumprir prisão domiciliar, com medidas restritivas, como recolhimento noturno e não poder deixar o país.

BUSCAS EM SAQUAREMA

Em Saquarema, na Região dos Lagos, os agentes chegaram por volta de sete horas da manhã. Eles fizeram busca e apreensão em três empresas ligadas ao deputado Paulo Melo, do PMDB. Os escritórios ficam localização em um prédio comercial no bairro Jardim. Os agentes esperaram a chegada de um chaveiro para entrar nos estabelecimentos.

Outra parte da equipe da Polícia Federal está na casa de praia do deputado. Um vizinho foi chamado como testemunha para acompanhar a busca e apreensão.

O imóvel chama a atenção pelo tamanho: são três andares. Do outro lado da rua, uma casa anexa com churrasqueira e até um campo de futebol. Segundo relatos de vizinhos, o campo era usado como heliponto, e o político costumava promover festas no espaço.

Ele é suspeito de participar de uma organização criminosa ao lado de Picciani e do líder do Governo na Alerj, deputado Edson Albertassi. Nas investigações da Operação Cadeia Velha, o Ministério Publico Federal constatou que, tanto Melo quanto Picciani, aumentaram de forma expressiva seus patrimônios.

Em determinado momento, o crescimento dos ganhos chegou a mais de 100%. Os políticos também mantinham sociedades em conjunto para lavar o dinheiro de propina. A chefe de gabinete do deputado, Andreia Cardoso do Nascimento, é alvo de prisão preventiva, e o irmão dela, Fabio, assessor do deputado, também é alvo de prisão, mas temporária. Paulo Melo foi Presidente da Assembleia Legislativa Entre 2011 e 2015, sendo substituído pelo atual presidente da Casa, Jorge Picciani.

O deputado também foi secretário de Governo na gestão do Governador Luiz Fernando Pezão. Nas últimas eleições, em que concorreu como deputado estadual, recebeu mais de 125 mil votos. O político tem grande influência na Região dos Lagos, e a mulher dele, Franciane, já foi prefeita da cidade, entre 2004 e 2008.

INVESTIGAÇÕES

De acordo com as investigações, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani, seu antecessor, Paulo Melo, e o segundo vice-presidente Edson Albertassi, formam uma organização criminosa integrada ainda pelo ex-governador Sérgio Cabral e que vem operando desde a década de 90. Segundo o MPF, os envolvidos adotaram práticas financeiras clandestinas e "sofisticadas" para ocultar o produto da corrupção, que incluiu recursos federais e estaduais, além de repasses da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro.

Os investigadores aturaram em três frentes de apuração: os repasses da Fetranspor para deputados; os recursos da Federação para uma conta de Cabral e sua partilha com Picciani e Paulo Melo; e as doações da construtora Odebrecht a políticos, depois declaradas em acordos de colaboração já homologados.

O MPF também identificou que a indicação de Albertassi para uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado, feita pelo governador Luiz Fernando Pezão, pode ter sido uma manobra para que a organização criminosa retome espaços perdidos com os afastamentos de conselheiros determinados pelo Superior Tribunal de Justiça e uma forma de atrapalhar as investigações.

Por meio de nota, o Ministério Público Federal disse que Jorge Picciani é uma peça fundamental da organização criminosa, por conta do poder e influência do político sobre outros órgãos estaduais. Além disso, tanto Picciani quanto Melo tiveram aumentos exponenciais dos seus respectivos patrimônios desde o ingresso na política. Em certos períodos, segundo o MPF, os patrimônios deles tiveram aumento 100%, patamar superior a qualquer investimento, segundo o órgão.