PMDB fecha questão, mas governo ainda busca votos para a reforma

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

Jucá adverte deputados do PMDB: "Fechamento de questão implicará punição" O fechamento de questão do PMDB a favor da reforma da Previdência, seguido do PTB, impulsionou ontem as articulações pela votação da proposta, enquanto a contagem de votos estendeu-se noite adentro. O presidente Michel Temer intensificou as conversas durante todo o dia com líderes, senadores, governadores e empresários reforçando a urgência de votação, sob pena de mais uma vez os brasileiros serem vítimas de "estelionato eleitoral" em 2018. Havia a expectativa de que outros aliados também fechassem questão a favor da proposta (com punição dos deputados que contrariem o entendimento), mas isso não ocorreu. Em reuniões, PSD e PR decidiram não comprometer seus deputados. A decisão sobre colocar a proposta em pauta continua em mãos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que aguarda a conclusão do mapeamento de votos. Em conversas com empresários da construção civil, ontem no Planalto, Temer argumentou que a reforma da Previdência é fundamental para a saúde fiscal da União, Estados e municípios, e ponderou que se não for aprovada em seu mandato, seu sucessor será obrigado a promovê-la o quanto antes. Ele ressaltou que dificilmente um candidato a defenderá, abertamente, na campanha eleitoral, submetendo os brasileiros ao risco de novo "estelionato eleitoral". Sua antecessora, Dilma Rousseff, foi acusada de, após a eleição, colocar em prática um ajuste fiscal severo com o qual não se comprometera enquanto pedia votos para a reeleição, que foi criticado até mesmo pelo PT. Enquanto Temer recebia empresários, as bancadas reuniram-se no Congresso. O PTB saiu na frente, divulgando comunicado sobre o fechamento de questão de manhã, enquanto o PMDB formalizou essa decisão à tarde. Em nota oficial, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, determina que "os deputados federais e senadores do partido, em obediência à decisão da Executiva nacional, votem pela aprovação da reforma". Não houve, contudo, uma reunião formal da Executiva, abrindo brecha para questionamentos sobre o peso da decisão. São 16 deputados federais, dos quais um, Arnaldo Faria de Sá (SP), é crítico da reforma e fez carreira em defesa de aposentados. Após a reunião da Executiva Nacional que aprovou o fechamento de questão, o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), alertou que haverá uma punição para os deputados que contrariarem a posição da legenda. O tipo de sanção ainda não foi decidido. "O fechamento de questão implicará punição, só não quisemos definir antes para não parecer uma ameaça", afirmou Jucá. "Não queremos ameaçar, queremos a reflexão dos parlamentares", ponderou. Foram 19 votos favoráveis ao fechamento de questão e três contrários. Destes, apenas um disse que manterá a posição contra a reforma no plenário da Câmara, o deputado Mauro Mariani, presidente do PMDB de Santa Catarina. Outros dois, o deputado João Arruda (PR) e o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry, votaram contra fechar questão, mas não contra a reforma em si. Henry, por sua vez, havia se reunido com Temer pela manhã, acompanhado do deputado Jarbas Vasconcelos, liderança histórica do PMDB em Pernambuco. Jarbas já tornou público seu apoio à reforma previdenciária e disse a Temer que trabalhará para conquistar votos para o projeto. Em contrapartida, Jarbas pediu o apoio de Temer para manter o diretório do PMDB em Pernambuco sob o comando do vice-governador Raul Henry. Jucá abriu processo administrativo para afastá-lo da presidência do PMDB pernambucano, mas Jarbas e Henry reverteram o ato na Justiça. Temer prometeu a Jarbas interceder junto a Jucá por uma conciliação. Ainda ontem, os outros partidos do Centrão - PP, PR e PSD - decidiram não fechar questão sobre a reforma. "Sem o fechamento, o PP vai dar mais votos que muitas bancadas que fecharem questão", alegou o líder da sigla, deputado Arthur Lira (AL). O PP é o partido com mais e melhores cargos no governo Temer. O presidente do PSD e ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, entrou em campo para conquistar mais adesões à proposta, mas não conseguiu fechar questão no partido. Um dos vice-lideres do PSD, deputado Thiago Peixoto (GO), favorável à proposta, confirma a "mudança de clima" na bancada, mas admite que não tem a unanimidade. "Semana passada 9 diziam que apoiavam a reforma. Agora temos 15", admitiu. O líder do PR na Câmara dos Deputados, José Rocha (BA), disse ontem, após reunião do partido, que a legenda não fechará questão. "Houve questionamento, quase unânime na bancada, de que há problemas na comunicação do projeto", alegou. Segundo Rocha, dos 39 deputados, há possibilidade de, no máximo, 25 apoiarem o projeto. (Colaborou Murillo Camarotto)