PSB pode expulsar Danilo Forte por apoio a Temer

Publicado em 13/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

A direção do PSB iniciará na segunda-feira (16) discussão sobre a punição dos deputados que votaram contra a orientação da Executiva Nacional e ajudaram a aprovar o projeto da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados, em abril deste ano.
Serão julgados os processos disciplinares contra o deputado cearense Danilo Forte; além da atual líder do partido na Câmara, Tereza Cristina; o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho; e o deputado Fábio Garcia.

Nos bastidores, a informação é de que os políticos estão negociando a saída do PSB, mas ainda esperam a janela partidária do ano que vem para concretizar a decisão. Cerca de dez deputados "governistas" do partido já dão como certa a ida ao DEM.
Diante da divisão da bancada, o presidente do PSB já admite iniciar conversas para uma saída negociada com estes parlamentares. Se eles resistirem e quiserem continuar no partido, mesmo com posições completamente contrárias ao do diretório, devem ser expulsos.
"Não vamos permitir que o partido seja desmoralizado. Chegamos ao limite, a tolerância já está esgotada. A janela está muito distante, eles já não têm razão para ficar no PSB", afirmou Siqueira.

Presidente
Ao jornal O Estado, o deputado Odorico Monteiro assegurou que continua a frente do PSB do Ceará. Ontem, ele representou a legenda, entre os partidos aliados, na convenção do PDT, que reconduziu o deputado federal André Figueiredo à presidente regional da sigla. "Eu continuo presidente do PSB do CearT, disparou ele.
O parlamentar afirmou ainda que, dentre os casos a serem julgados pelo diretório nacional, o caso de Danilo Forte é o "mais grave", lembrando que o cearense é membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Isto porque a tensão entre as alas do PSB ficou "irremediável" depois que a executiva ordenou que os parlamentares votassem pela continuação da segunda denúncia e recebeu a sinalização de que nem a líder cumpriria a ordem.
"No caso do Danilo, é mais grave. Ele é da CCJ e tem uma deliberação que ele saísse e outro deputado assumisse a vaga. O partido é oposição ao governo Temer e, por isso, favorável a continuidade do processo movido pela Procuradoria", disse o socialista.

Hoje, o PSB tem quatro cadeiras na Comissão de Constituição e Justiça, e as principais lideranças do PSB não abrem mão de garantir todos os votos pelo prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer, conforme deixou claro Odorico Monteiro.
"Espero que, na segunda, o diretório decida que vai acatar a decisão das comissões. Existe uma questão ético-partidária. O partido é uma parte da sociedade, que tem mesmo alinhamento ideológico. PSB tem um projeto nacional alinhado às políticas social, bem diferente do atual governo", frisou.

Sem comentários
A equipe de reportagem, procurou o deputado Danilo Forte para comentar o assunto, mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno. Em setembro deste ano, Danilo voltou ao posto de presidente do PSB após decisão do desembargador do Tribunal de Justiça Eustáquio de Castro, do Distrito Federal.
O juiz, na ocasião, suspendeu os efeitos da decisão do presidente da sigla Carlos Siqueira, após o parlamentar votar favoravelmente à reforma trabalhista, contrariando orientação da executiva nacional da legenda. Na época, Danilo afirmou que buscaria diálogo com o diretório.